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Triple 9 não apresenta nada de novo mas consegue cumprir sua função de um bom filme de ação


Assim que vi o trailer de Triple 9, fiquei empolgado. Afinal o filme parecia ser um bom thriller de ação, sem contar o elenco estelar. E que elenco. Mas os reviews negativos que saíram, e não foram poucos, deram uma pequena desanimada. Mesmo assim resolvi conferir e felizmente não me decepcionei, Triple 9 é um bom filme, não inova, traz elementos já vistos em outros filmes de sucesso, tem um roteiro fraco no início que vai evoluindo no decorrer da produção, mas consegue ser tenso.

A trilha sonora de Atticus Ross é importante pra criar uma certa sensação de urgência em todos.

O filme acompanha um grupo de criminosos formados por policias, ex-policias e militares, que começaram a servir uma máfia russa judaica há algum tempo e fazem isso até hoje. Realizando um assalto, que serve para tirar o líder desta organização da prisão, o grupo acha que só tem mais essa tarefa. Mas acabam se enganando, pos a ausência de alguns arquivos importantes e chantagens diretas da esposa do líder russo, o forçam a retornar para mais um trabalho.

Trabalho esse que o grupo acha impossível.

Talvez o erro no roteiro de Matt Cook seja explicar tudo isso de forma rasa. Se em alguns filmes reclamamos da explicação excessiva, neste a falta dela é o grande defeito.

É necessário extrema atenção principalmente no começo para não ficar confuso. Felizmente isso consegue se resolver ao longo do filme, com a introdução de Chris Allen (Casey Affleck), um jovem policial que é transferido para a mesma delegacia de Marcus (Anthony Mackie) e se torna seu parceiro. Marcus faz parte do grupo de criminosos, e após a chegada de Chris, vive em constante conflito interior, além dos dois viverem em pé de guerra.

Chris é essencial para a resolução do último assalto do grupo, pois planejam assassiná-lo gerando o código 999 (o tal Triple 9/”oficial down“), o que gera a atenção de toda a polícia, um espécie de distração, enquanto que ao mesmo tempo parte do grupo realiza o assalto.

 

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O grupo é liderado por Michael Atwood (Chiwetel Ejiofor) que a exemplo de Anthony se sente a vontade num papel escrachado, e ao mesmo tempo abalado com o que faz, tendo que conviver com sua a sua cunhada Irina Vlaslov (Kate Winslet), que é a esposa do mafioso. Kate afetada ao extremo, é uma atriz desperdiçada aqui, e tem pouco material,  se limitando a ameaças e vilanismo barato.

A mulher de Michael é Elena (Gal Gadot) mais uma vez apenas sexualizada, que juntamente com seu filho, sofre ameaças da irmã, fazendo com que Michael tenha a motivação melhor trabalhada da equipe.

Os irmãos Russel (Norman Reedus) e Gabe (Aaron Paul), são ex-policias que estão nessa mais pela falta de oportunidade. Enquanto Russel tem um Norman mais sério e responsável, Gabe tem um Aaron muito parecido com seu personagem em Breaking Bad, drogado e vulnerável. O ponto fora da curva é Jorge Rodriguez (Clifton Collins Jr.) que completa o grupo e parece estar nessa pelo prazer.

triple 9

Quem dirige essa salada de bons atores é John Hillcoat, e consegue arrancar o melhor de alguns, inclusive toda a canastrice de Woody Harrelson como Detetive Jeffrey Allen, irmão de Chris, principal responsável pela investigação que quer descobrir quem são os autores dos crimes.

Em cenas de ação John vai bem, e consegue captar todo o realismo, principalmente em uma cena de invasão, cena essa que me lembrou a tensão de Sicário, com um pouco de True Detective S02E04. Em vez dos policiais entrarem desenfreados atirando, a cena é feita com toda a calma e foco de verificar tudo, assim como um força tarefa real faria. Sendo o filme para maiores, a violência pode chocar alguns.

Cabeças decapitadas, dedos arrancados e tiros na cabeça são mostrados sem cerimônia. Esse é o “trunfo” de Triplo 9.

Sua resolução não seria diferente em um mundo que existe tanta corrupção, o fim parece chegar pra todos, independente se são bons ou não, afinal, na vida real também é assim, estamos sujeitos a tudo. A vulnerabilidade de todos, é um bom trabalho de direção, tanto de ambientação, como de atores, que se sobressai perante um roteiro em que as coisas são jogadas, como se você tivesse a obrigação de entender tudo.

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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