AODISSEIA
Filmes

Crítica: Trama Fantasma

Não é o melhor filme de Paul Thomas Anderson. Nem do Oscar

18 de fevereiro de 2018 - 20:07 - Flávio Pizzol

 

Trama Fantasma não é o filme mais original de Paul Thomas Anderson. Partindo de um roteiro estruturado por intrigas – meio vitorianas ou shakespearianas – extremamente familiares na sétima arte, ele funciona parcialmente, mas não consegue fugir do óbvio na maior parte de suas reviravoltas.

O longa não parece ter muito para falar. As discussões sobre o mundo da moda, a obsessividade, a criatividade e a dependência familiar tangem o texto em momentos importantes, mas não passam de tentativas rasas de injetar peso ao roteiro mais vazio da filmografia do diretor. O problema pode estar na minha visão como público, mas Trama Fantasma definitivamente não conseguiu mexer comigo como Sangue Negro, O Mestreou qualquer outro trabalho de um dos melhores roteiristas dessa geração.

 

 

Já o trabalho de Paul Thomas Anderson como diretor se mantém bem mais convincente e consistente, salvando Trama Fantasma de ser a mesmice que o roteiro tenta vender. A forma como escolhe ditar o ritmo de uma história naturalmente lenta, inserir o belíssimo figurino na narrativa, subir os efeitos sonoros para trabalhar a irritação e preencher tudo com uma trilha sonora que transmite alegria, melancolia, paixão e tensão com a mesma eficiência.

Por mais que o terceiro ato perca o fôlego por tentar apressar a trama, a cena dos cogumelos é um show de direção que vale a indicação de Paul Thomas ao Oscar.

O mesmo pode ser dito de uma série de atuações que também salvam o filme de um vazioexistencial. Daniel Day-Lewis (Lincoln) constrói um sujeito apaixonado por seu trabalho, passivo-agressivo e completamente obsessivo como poucos conseguiriam fazer. Talvez não seja a obra-prima que merecia encerrar sua carreira, mas também vale uma indicação sem vitória.

 

 

Lesley Manville (Malévola) também faz um ótimo trabalho como a irmã sombria e bizarra e Vicky Krieps (Amor e Revolução) injeta uma energia própria em uma personagem morna e pouco favorecida pelo texto.

Em resumo, Trama Fantasma é um filme interessante, tenso na medida certa e bem ritmado que passa longe de ser tão poderoso quanto as outras obras de PTA ou Daniel Day-Lewis. Merece certas indicações ao Oscar, mas falta algo para merecer o posto mais alto da noite ou o lugar memorável de último trabalho do melhor ator dos últimos anos.