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Depois de Homem de Ferro 3 (um filme decepcionante, mesmo sendo bom), a Fase 2 da Marvel nos apresenta a continuação daquele que foi, na minha opinião, o pior filme da Fase 1. E é com muita alegria que digo que O Mundo Sombrio é muito melhor que seu antecessor. Afinal, só podemos esperar coisas boas de um filme que cria arcos até para um martelo.

Thor – O Mundo Sombrio (vou chamar de Thor 2 por pura preguiça) continua a história de onde ela tinha parado. Asgard está comemorando a paz nos Nove Reinos, Loki está preso nas masmorras e Thor vive em dois mundos (já que não consegue parar de pesar em seu amor terrestre). Jane, por sua vez, continua procurando Thor e em uma dessas buscas acaba (por coincidência e preguiça de roteiro) libertando Malekith, o vilão do filme. A premissa batida e simples se mostra funcional e interessante quando passada para a telona.

Sim, o filme é tão bom que faz o público ignorar a chuva de clichês usadas na construção do roteiro. Mas por que Thor 2 um filme tão bom?

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Talvez seja porque, finalmente, a franquia solo do asgardiano abraça o jeito Marvel de ser. A continuação é colorida, engraçada e extremamente cartunesca. Exatamente por isso o filme consegue agradar todos os públicos. A ação é intensa e bem dirigida, o humor entra no momento certo e funciona (o contrário do que aconteceu no primeiro filme), o drama familiar é real e até o romance tem mais espaço.

Ou talvez seja porque Asgard aparece mais sem que a Terra perca espaço. Porque os personagens são bem desenvolvidos e aproveitados. Porque a mistura entre o humor e a ação funciona sem soar forçada. No final das contas, são tantos acertos que podemos dizer que o grande mérito de Thor 2 é o equilíbrio.

O filme se mantém extremamente equilibrado durante toda a projeção. São muitos personagens, muitas coisas para serem trabalhadas e muitos mundos, mas mesmo assim o roteiro, mesmo tendo seus problemas, não se perde dentro da sua própria mitologia (algo que ocorreu em Homem de Ferro 3).

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E esse equilíbrio dita o ritmo do filme. Daí saem ótimas cenas de ação, como a Batalha de Asgard e a fuga de Thor (a edição dessa cena dá um tom divertido de filme de assalto que ficou bem legal), ótimas discussões com Odin e cenas de humor geniais com Loki (entre ironias e sarcasmos, tem uma cena genial que brinca até com o Capitão América).

Assim como no primeiro filme, boa parte dos acertos do filme também passam pela sua ótima parte técnica. A diferença entre os dois é que esse filme não se prende nela para atingir o público. Os efeitos especiais são ótimos, a fotografia funcional e a direção de arte espetacular. Essa última, inclusive, aproveita que Asgard aparece mais para incrementar esse mundo com artigos futuristas. Algo que acaba funcionando bem na mágica e nórdica terra governada por Odin.

A direção do filme também é boa e ajuda a manter o já elogiado equilíbrio. Infelizmente, a direção de Alan Taylor (famoso por dirigir muitos episódios de Game of Thrones) só é percebida em algumas cenas, como o belo enterro de Frigga.

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O elenco é outro ponto que está bem melhor. Chris Hemsworth está mais maduro e mais a vontade na pele do herói, conseguindo inclusive ser efetivamente engraçado. Natalie Portman e Anthony Hopkins são extremamente talentosos e conseguem trabalhar no piloto automático mesmo quando seus personagens criam novas facetas e camadas. Junto com Tom Hiddleston (de quem vou falar daqui a pouco), eles formam o elenco principal do filme.

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Dos coadjuvantes posso destacar Rene Russo (bem, mesmo aparecendo pouco), Idris Elba (que tem uma ótima presença de tela), Kat Dennings, Stellan Skarsgard (os dois sendo importantes para o alivio cômico do filme) e Christopher Eccleston (faz o possível para ser um bom vilão).

O destaque negativo fica para Jaimie Alexander, Ray Stevenson, Tadanobu Asano e Zachary Levi. Não por causa da atuação e sim, porque eles aparecem muito pouco. Suas aparições são mais pontuais que no primeiro filme. São ótimos personagens que foram desprezados pelo roteiro, mesmo que isso pareça necessário. Acredito que eles devem ter uma participação mais importante no vindouro Thor 3.

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Mas acima de todos esses ainda está Tom Hiddleston. O ator, que sempre se destacou como Loki, assumiu a verdadeira (e melhor) faceta do personagem. Fazendo jus ao “cargo” de Deus da Trapaça, Loki marca presença firme nas reviravoltas do filme (a cena da mão e a reviravolta final são simplesmente espetaculares) e ainda tira um tempo para virar um metralhadora de piadas. Tudo isso apoiado em uma atuação sensacional de Tom.

O roteiro funciona muito bem e acerta em cheio na construção da história, dos personagens e das reviravoltas pontuais, mas acaba errando ao usar e abusar dos clichês, das saídas simples e das coincidências. E os exemplos são muitos.

Em certo momento, Jane está procurando Thor e entra em um portal que leva ela exatamente para o lugar super secreto onde o Éter está escondido. O problema é que esse portal não é usado em nenhum outro momento, deixando claro que ela ir parar lá é uma artimanha preguiçosa do roteiro para que a mocinha fique no centro da ação.

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Outro clichê preguiçoso é fazer com o vilão consiga ter tudo o que precisa com tremenda facilidade. Por exemplo, Jane acorda o vilão pouco tempo antes de ocorrer o alinhamento do universo, fenômeno, que acontece a cada 5 mil anos, essencial para que os objetivos do vilão sejam atingidos.

Outra coisa ruim é a motivação do vilão que é a mais batida possível. Mesmo que seja um filme de super herói, esse tipo de clichê tira a força do vilão. Por isso que mesmo tendo presença e sendo bem interpretado, Malekith parece inútil e fraco.

São erros perceptíveis, mas não atrapalham em nada o ótimo conjunto da obra que é Thor – O Mundo Sombrio. Principalmente porque a continuação conseguiu consertar boa parte dos erros do original.

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Thor 2 é mais um bom filme da Marvel, que continua com um saldo extremamente positivo. Um filme equilibrado, intenso, épico e muito divertido. Um filme com a cara da Marvel onde história flui, os personagens funcionam e o tempo passa sem que o espectador perceba. Agora a franquia do Deus do Trovão ganhou um exemplar digno de um dos personagens mais poderosos do mundo.

OBS 1: O filme tem 2 cenas pós-créditos. A primeira é importante e liga Thor 2 ao filme dos Guardiões da Galáxia, enquanto a segunda é bobinha e só serve pra fechar o longa.

OBS 2: Explicando a referência que fiz ao martelo na introdução do texto. Falei aquilo porque até o martelo de Thor é bem aproveitado e vira quase um personagem a parte na última cena de ação do filme.

Jogos Vorazes – Em Chamas

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