AODISSEIA
Séries

Crítica: The Rain

Quem tá na chuva não é pra se molhar

19 de Maio de 2018 - 17:26 - felipehoffmann

Quando The Rain lançou seu primeiro teaser, recheado de mistérios em um futuro onde a sociedade que conhecemos já não existia, criou-se uma certa expectativa. Apoiada em Dark, outro sucesso da Netflix, a série trazia elementos de surpresa e mistérios em um futuro pós apocalíptico escandinavo, lá na Dinamarca.

De fato, é interessante ver outras culturas, línguas e produções originais de outros países no catálogo do serviço de streaming. A princípio, pode incomodar a sonoridade do dinamarquês, mas com o tempo, você acostuma e até nota algumas palavras semelhantes ao inglês. Mas, caso queira, a dublagem em português é excelente e pode ser uma opção bem interessante.

Criada por Jannik Tai Mosholt, Christian Potalivo e Esben Toft Jacobsen, The Rain traz uma premissa curiosa, introduzindo a chuva como distribuidora de um vírus que, ao entrar em contato com a pele, mata a pessoa. Contudo, apesar da boa dinâmica dos personagens e dos grupos envolvidos, a série não traz nada de novo em relação às ideias além desse axioma.

 

 

Tirando o fator chuva, tudo o que vemos em The Rain já vimos antes em qualquer outra série pós apocalíptica e isso acaba sendo um ponto negativo, pois dá uma sensação de repetição das histórias. Por vezes é possível prever o que vai acontecer justamente por ter visto isso em outros lugares. Um grupo canibal, uma ação desastrosa do governo ou algumas ações mais maniqueístas não criam surpresa para o espectador mais acostumado com esse tipo de produção. Mas claro, pode funcionar para um marinheiro de poucas viagens dentro do gênero.

O roteiro é de certa forma simples, sem muitos diálogos complexos ou grandes surpresas. Centrar a história no ponto de vista dos irmãos Simone (Alba August) e Rasmus (Lucas Tønnesen) foi um acerto pois descobrimos juntos a novidade daquele mundo acabado. Aliás, a relação maternal da irmã mais velha com o caçula não pareceu forçada em nenhum momento, além de ser completamente compreensível.

Contudo, fica um pouco difícil de engolir os dois escondidos 6 anos dentro de um bunker, sem sair pra olhar o mundo lá fora. O salto temporal tenta dar um jeito nisso mas não cria artifícios interessantes pra comprarmos essa história. Rasmus era uma criança fofinha e, em um minuto, vira o clássico adolescente chato daqueles bem estereotipados, que todas suas ações beiram o irritante.

 

 

Talvez ai, nesse período de tempo, que more o grande problema de The Rain. Quando os irmãos finalmente saem do bunker, se deparam com um grupo de sobreviventes que tentam roubar seus mantimentos. Acontece que, para esse grupo novo, tudo também parece ser novidade. A ação dos militares, os vários outros abrigos espalhados pela floresta e uma área de quarentena traçada em um mapa surgem como um acontecimento absurdo. Pra quem lutou tanto tempo, precisando sobreviver e conseguiu constituir um pequeno grupo social que fosse, achar aquilo tudo novidade não foi uma decisão tão inteligente. Comigo pelo menos não colou.

Para ser justo com The Rain, os últimos três episódios da série são excelentes. Após descobrirmos os planos da Apollon, empresa responsável pelo vírus, é possível ver até onde o ser humano pode chegar em busca de uma suposta evolução, de consertar seus erros e sobreviver em meio ao caos. Quando a série resolve entregar seus mistérios, tudo fica melhor para acompanhar e passa rapidinho.

No fim das contas, The Rain deixa o futuro aberto para explorar novos caminhos mas também funciona como uma minissérie. Entre erros e acertos, é uma boa pedida pra quem quer embarcar em mais uma produção futurista decadente, com um visual incrível e episódios mais curtinhos, com ideias fáceis de serem digeridas.