AODISSEIA
Filmes

Crítica: The Invitation

13 de maio de 2016 - 15:00 - Tiago Soares

A linha tênue entre o cuidado e a paranoia.


InvitationPosterA cada dia, menos filmes de terror/suspense tem nos chamado atenção. Talvez pelo clichês constantes, histórias batidas e pouco inspiradas. Esse ano tivemos o excelente terror A Bruxa e um ótimo suspense com Rua Cloverfield, 10. Mas nem todos os filmes tem o privilégio de chegar ao mainstream com status de filmaço como os dois citados. É o caso de The Invitation, filme escondido, que muita gente nem sabe do que se trata, traz até alguns nomes conhecidos, mas está longe de ser uma grande produção, o que não reflete em sua história e execução, pois estamos diante de um dos filmes mais tensos do ano.

Uma tragédia abala o casal formado por Will e Eden. Eles perdem o filho pequeno em um acidente e Eden, desolada, vai embora sem dar notícias. Dois anos mais tarde, ela volta a procurar o marido, acompanhada de outro homem, e totalmente diferente de como era antes. Durante um jantar, Eden pretende reunir todos os amigos do passado, inclusive Will, que começa a suspeitar que os visitantes têm planos sinistros contra ele.

A diretora Karyn Kusama consegue transmitir toda a tensão que o filme quer passar, auxiliada pela montagem (que dá espaço a flashbacks de Will e Eden ainda felizes) e pela trilha sonora (sempre claustrofóbica). É notório pela cara do protagonista vivido por Logan Marshall-Green o desconforto da situação. Enquanto todos parecem felizes, Will ainda vive as mágoas do passado e revive todos os momentos ao voltar a antiga casa. Já é bizarro vê-lo nessa situação, o que nos faz questionar, o porque dele aceitar o convite, levando consigo a namorada Kara (Emayatzy Corinealdi).

O roteiro de Phil HayMatt Manfredi tem o poder de nos prender totalmente, mesmo sem nada acontecendo no âmbito visual. O eterno questionamento que fazemos, é se Will está louco ou se algo de fato está acontecendo. Toda essa tensão não seria possível sem as ótimas atuações de Eden (Tammy Blanchard) que aparenta fragilidade e David (Michiel Huisman) pagando de “bom moço” sempre, além do carisma. O sempre incrível John Carroll Lynch é a cereja de um bolo já bastante recheado por boas performances.

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Todos os fatos que se seguem no decorrer do filme geram um certo grau de desconforto. Me peguei várias vezes cobrindo o rosto, não porque seja um filme violento, mas sim pelo constrangimento de me imaginar em meio aquele cenário.

The Invitation é um filme que caminha por vários, senão todos os gêneros, com certa perfeição em todos eles. O pôster com a taça quebrada, traduz perfeitamente o que os envolvidos querem transmitir e ainda livra você dos possíveis spoilers. O final é um show a parte e tem aquele toque de continuação, nada forçada. Algo que não precisa acontecer e não tira o brilhantismo e a originalidade de um ótimo thriller.


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