AODISSEIA
Séries

Crítica – The End of the Fucking World

Faça o que quiser. Aprenda com isso e erre novamente

17 de janeiro de 2018 - 19:50 - felipehoffmann

Até que ponto sua adolescência foi baseada na simples e pura rebeldia, sem causa aparente? Não é fácil jogar tudo pro ar e viver uma história de romance quando se tem 17 anos. Na verdade, isso beira a psicopatia. E é justamente aí que The End of the Fucking World consegue pegar aquela que pensa em assistir mais um melodrama adolescente.

Quando você passa na rabeta da puberdade, milhares e milhares de pensamentos surgem à cabeça, num turbilhão de sentimentos. Eles podem se comprimir na timidez disfarçada em raiva ou podem ser estourados pelos cotovelos, com frases e mais frases que soam arrogantes, mas que no fundo, o fazem um pouco mais babaca.

 

 

O casal de protagonistas de The End of the Fucking World dá tão certo justamente por essa dualidade. James (Alex Lawther) é um psicopata, segundo ele, com pensamentos de morte bem perspicazes. Recheado de silêncio, James é a pura fúria introvertida, fruto de sua infância. Alyssa (Jessica Barden) é o oposto disso. Ali fala viu. Fala sobre tudo, pensando cuidadosamente em cada palavra para provar sua anarquia no alto dos 17 anos, por mais que seus verdadeiros sentimentos sejam singelos e afetuosos.

Produzida pela britânica Channel 04 e incorporada pela Netflix, The End of the Fucking World é uma comédia sádica, com um roteiro que passeia pelo humor negro a todo instante. Com 8 episódios de pouco mais de 20min, os acontecimentos precisam ser corridos e isso não deixa o ritmo da série cair. Seu texto encaixa no tom dos personagens e critica justamente os estereótipos que cercam essa fase da vida. E deixa uma pergunta amarga. Você é mau porque nasceu assim ou é fruto de onde vive?

 

 

Abordar conflitos adolescentes, como 13 Reasons Why abordou, é sempre complicado. Existe uma linha nessa estrada que pode se perder entre o perigoso e o crítico. No fundo, The End of the Fucking World não passa de um road movie na terra da rainha mas, disfarçado de comédia, consegue mostrar cada consequência dos atos rebeldes dos adolescentes nessa viagem niilista. A forma como os personagens se transformam mostra bem o arco fechado dos dois e suas transformações, assim como essa mensagem que o subtexto deseja passar.

The End of the Fucking World é um Bonny e Clyde adolescente com um pé na utopia. Mas sua verdadeira intenção é bem clara. Faça o que quiser, jogue tudo pro ar e ame, odeie, permita-se a loucura. Só arque com essas consequências depois, por que uma hora ela bate na porta, cobrando uma resposta.