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Nova minissérie da Netflix dirigida por Damien Chazelle (de “La La Land”), The Eddy é um fiapo de texto mergulhado em muito conceito


No final de “La La Land”, Sebastian se despede de Mia falando: “você vai gostar (de Paris), o jazz lá é bom”. Talvez por isso e por suas raízes musicistas e parisienses, Damien Chazelle decidiu dirigir a minissérie francesa, “The Eddy”. Infelizmente, o resultado da nova aposta da Netflix não chega nem perto dos dois primeiros trabalhos musicais do diretor, mas para sermos justos, ele divide o posto com mais três profissionais, e a criação aqui está a cargo de Jack Thorne (“Extraordinário”).

Neste drama musical acompanhamos Elliot Udo (André Holland, de “Moonlight”), dono de uma clube de jazz, numa Paris cada vez mais caótica. Ao mesmo tempo em que tenta administrar seu negócio, Elliot precisa se reaproximar da filha Julie, recém-chegada de Nova York e encarar um relacionamento conturbado com Maja (Joanna Kulig, de “Guerra Fria”).

Contar a história de homens falhos e por vezes frágeis, parece ser uma tônica na carreira de Chazelle. Sendo assim, The Eddy usa e abusa do visual realista e sujo. A câmera passeia pelos arredores de Paris com poucos cortes, longas sequências, câmera inquieta/nervosa e planos fechados, sempre buscando o sentimento de seu protagonista.

the eddy

É uma pena que esse sentimento muitas vezes é de total antipatia. A junção de tramas, sejam elas a investigação que envolve o clube, o drama adolescente de Julie (Amandla Stenberg, de “O Ódio Que Você Semeia”) e os problemas de alcoolismo e autoconfiança de Maja, não se conectam de maneira fluída e dinâmica. A longa duração dos episódios também não ajuda.

A impressão que fica, é que mesmo recheado de uma direção primorosa e conceitual, The Eddy tem apenas um fiapo de texto para desenvolver. Os números musicais são excelentes, muito devido ao letrista e produtor Glen Ballard, que escolheu os músicos parisienses da produção a dedo. A forma como são inseridas na trama também é louvável, já que seguem o ritmo conforme os conflitos são desenvolvidos.

Mas nem só de música vive uma minissérie, e The Eddy tenta contar a história de um gênio incompreendido envolto em uma grande conspiração, ao mesmo tempo em que lida com a filha e com um relacionamento, tudo isso de forma inverossímil, lenta e ingênua. O jazz é famoso por ser um estilo musical imprevisível e a obra parece ir por um caminho contrário e inconsistente.


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A falta de foco se reflete nos personagens. Os atores tem atuações dignas de Emmy, mas suas histórias pouco se desenvolvem. Se um deles aprende algo, logo em seguida repete o mesmo erro, sobreposto por um discurso genérico, para em seguida errar novamente. Não é possível se apegar a ninguém. O romance entre Elliot e Maja não tem química, ambos são insuportáveis sejam juntos ou separados, e a filha é um símbolo de anti-amadurecimento.

Aos poucos, a trama principal de The Eddy vai ficando de lado e sendo engolida por uma apatia que só é amenizada pela música. A vibração do jazz que envolve a minissérie sem dúvida é o combustível que a impulsiona, e unida ao visual, engole a pobre narrativa, que poderia ser um filme de 2 horas, e não uma minissérie de oito episódios.


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The Eddy

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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