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Cuidado para não se enganar. The Cloverfield Paradox é quase uma cópia – ou talvez mistura genérica – de Alien, Vida ou qualquer outro filme sobre astronautas presos no espaço que enfrentam um inimigo inesperado. Você só precisa trocar os androides e alienígenas por dimensões paralelas e pronto.

Dito isso, podemos tentar discutir sobre um filme que, apesar de ser a produção mais fraca da franquia, funciona e diverte até certo ponto graças exatamente ao seu diferencial principal. O ótimo uso das dimensões paralelas é o fator que adiciona camadas inesperadas e reviravoltas razoáveis a uma história que tinha tudo para ser afundada em seus problemas. Afinal de contas, o roteiro de The Cloverfield Paradox falha na construção do relacionamento entre os astronautas, aposta em algumas soluções óbvias quando se trata das típicas mortes dos personagens e prejudica todo o desenvolvimento por outras escolhas que não fogem dos clichês.

 

 

Outro problema muito grande em The Cloverfield Paradox parece estar numa “indecisão”entorno da história que se quer contar. Se existiam rumores de que o filme era apenas um longa independente que foi parcialmente refilmado depois de pronto para que se encaixasse na cronologia de Cloverfield, assistir a película deixou isso muito claro pra mim. Desde o começo, existe uma sensação de que está faltando algo que atrapalha a compreensão do pontapé inicial e o apego aos personagens, enquanto, no final, algumas conexões acabam soando forçadas demais.

Para piorar, toda a correria proposta parece ser um desperdício já que, na minha opinião, o filme não cumpre o que prometeu no trailer. Se a ideia era explicar como começou o ataque do primeiro longa, The Cloverfield Paradox só o faz pela metade e de maneira bem fraca. Sabemos que a culpa é de um choque entre dimensões, mas faltam peças que se conectem com as empresas que foram citadas nas duas produções anteriores e que expliquem a origem dos monstros. Eu prefiro que a ligação seja mais sutil e subjetiva (como acontece com Rua Cloverfield) do que mal acabada como essa. Não vou conseguir aceitar que a origem de tudo é um simples “os monstros vieram de outra dimensão” e pronto.

 

 

A direção de Julius Onah em The Cloverfield Paradox funciona bem, apesar de não fazer nenhum esforço na arte de tentar ser inovador, e o elenco estrelar corresponde ao que é pedido. Gugu Mbatha-Raw (Black Mirror – San Junipero) tem a personagem mais complexa em mão e Chris O’Dowd (A Grande Jogada) acerta no humor pontual, enquanto Daniel Bruhl (Rush: No Limite da Emoção) e Elizabeth Debicki (O Grande Gatsby) estão entre os grandes nomes que acabam desperdiçados por personagens cercados por motivações capengas. Infelizmente isso não é o suficiente.

The Cloverfield Paradox tem algo a dizer como ficção científica dentro da ideia dos multiversos, entrega momentos bacanas de suspense e passa longe de ser algo deplorável, porém se perde na montagem falha, no roteiro sem peso e nas conexões um tanto quanto forçadas com uma franquia de sucesso. Poderia ser muito melhor. A própria série que resultou de Cloverfield merecia algo melhor depois de duas produções bastante acima da média.

 

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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