AODISSEIA
Filmes

Critica: Tarzan – A Evolução da Lenda


23 de julho de 2014 - 16:00 - Flávio Pizzol

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A animação que a Disney fez da história é o primeiro filme que me lembro de ter visto no cinema, logo ele é de certa maneira especial pra este cinéfilo que vos fala. Por isso, me entristeço ao ver uma história tão legal ser revitalizada em um filme ruim.

Aqui a história é ligeiramente diferente daquela apresentada no filme de 1999, mas a base não muda. As diferenças de idade e aos acontecimentos anteriores ao acidente não modificam o andamento esperado da história de Tarzan, o menino que perdeu os pais, foi criado por macacos, se apaixonou por uma linda garota chamada Jane e virou o rei da selva.

Infelizmente, como já disse, a história é desperdiçada por um roteiro pouco dinâmico e orgânico. Os diálogos são idiotas e os acontecimentos são repentinos e mal desenvolvidos. Assim vemos o protagonista aprender a falar na clássica cena do “mim Tarzan, você Jane” para depois estar falando frases completas ou palavras que nunca lhe foram apresentadas sem nenhuma dificuldade. Ou também quando vemos Clayton ter um exército que não viajou com ele e brotou do nada.

Outra coisa que não funciona em nenhum momento são os elementos fantásticos introduzidos por conta da história do meteoro. O roteirista e diretor alemão Reinhard Klooss deve estar contaminado com o que comecei a chamar de “Síndrome do Espetacular Homem-Aranha”, porque tudo que é apresentado tem que estar conectado, mesmo que seja da maneira mais forçada possível.

E tudo só piora quando aparecem as comparações com o filme de 1999. Como não vi nenhum dos filmes antigos, nem li os textos de Edgar Rice Burroughs, esse é o filme que uso como “material original”. E aqui a questão é que personagens e situações importantes existentes em ambos os filmes não passam um terço das emoções que o filme da Disney passava. Um ótimo exemplo é Kerchak e seu duelo com o protagonista.

De fato, o longa cumpre parte da sua proposta, já que agrada o público infantil (meus irmão gostaram…). Entretanto, eu defendo que, nos dias de hoje mais do que nunca, as animações também tem que divertir os adultos que acompanham as crianças, como fizeram Toy Story 3, Como Treinar seu Dragão e Uma Aventura Lego. Nesse caso, o didatismo extremo, a falta de emoção e as ações bobas afastam os adultos e até algumas crianças um pouco mais velhas.

A direção do filme é um pouquinho – bem pouco – melhor que o roteiro, porque tem alguns bons movimentos de câmera que dão alguma agilidade para alguns momentos. Mas as cenas de ação, que são o que realmente prende os pequenos, são lentas e mal editadas. È tão estranho que nem o 3D consegue funcionar ou salvar o longa.

Entretanto o que mais me impressionou negativamente foi a qualidade técnica. A animação é estranhamente ruim, principalmente nas feições e movimentos tanto de animais quanto de humanos. Para um filme que se vendeu como uma revitalização tecnológica da história, o resultado é muito abaixo do esperado. E a experiência piora quando nos lembramos de filmes, como o já citado Como Treinar seu Dragão ou até mesmo Planeta dos Macacos, que demonstraram um avanço em animação, efeitos e captura de movimentos muito maiores do que esta pérola.

Os personagens, como consequência do trabalho fraco das outras partes, são muito ruins. A animação falsa e as ações e diálogos piores ainda fazem com que o público não consiga se conectar ou se importar com os personagens como aconteceu em 1999.

Outra consequência é que os dubladores não podem fazer nada para salvar o filme, logo nem colaboram. E isso pode ser visto tanto na versão original quanto na brasileira.

A conclusão é que o filme é chato, arrastado e muito ruim. Se você realmente acha que seus filhos, primos, irmãos ou qualquer outro parente precisam conhecer a história de Tarzan, faça um favor a todos e procure o longa da Disney, que é corajoso, emocionante e bonito. Ou seja, exatamente o contrário desse aqui.

OBS 1: Fiquei com vontade de rever o filme original.