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Filmes focados em tribos e falados em sua língua nativa tem ganhado cada vez mais espaço no Oscar. Ano passado, tivemos o ótimo O Abraço da Serpente (El Abrazo del Serpiente) com sua uma história contada em duas linhas temporais, brincando com o tempo. O indicado da Colômbia era ótimo, mas Filho de Saul da Hungria acabou ficando com o prêmio.

Esse ano, Tanna, o representante da Austrália, acompanha uma tribo de Tanna, Vanuatu, em 1987, quando os casamentos ainda eram arranjados entre as tribos, conhecemos Wawa (Marie Wawa) e Dain (Mungau Dain), ela recém tornada mulher em um ritual e ele filho do chefe da tribo. Ambos se apaixonam, mas ninguém pode casar por amor, as moças são oferecidas a tribo rival, os Semendi, a ponto de evitar uma guerra e trazer a paz a ambas as sociedades tribais. Simples e objetiva, a história de Tanna foca nesse casal, e em toda a saga para tentarem ficar juntos.

Assim, com uma câmera bem documental, os diretores Martin Butler e Bentley Dean trazem uma introdução bastante didática, acompanhada de belas imagens, já que a região fica próxima de um vulcão (algo bastante simbólico no fim da produção), e uma trilha sonora que mistura músicas típicas, um piano pesado e canções da tribo com letras poderosas. Passamos a conhecer aquele meio, suas crenças, costumes e leis.

A naturalidade com que os atores são filmados e dialogam é um dos pontos altos do filme, que é estrelado por atores nativos. A constante preparação para um conflito que nunca chega a acontecer de fato, cria uma espécie de tensão, em uma história que poderia ser simples, mas que ganha complexidade a cada atitude do casal, de algum chefe de tribo ou xamã.

As diferentes tribos são retratadas com menos desenvolvimento, mas não com menos curiosidade, como a bela sequência em que os cristãos são apresentados. É um mundo completamente diferente dentro de um meio comum, na floresta, quase na selvageria, mas separados pelo simples fatos de usarem roupas.

As poucas, mas eficientes, cenas de ação ou de corrida pela floresta lembram o estilo cru de Mel Gibson em Apocalypto, além de ser falado na língua raiz algo que passa muito mais complexidade e emoção a história, como nas interações entre as tribos, nas já citadas canções e na linda cena final no vulcão, uma espécie de Romeu e Julieta, acompanhado pelo olhos de Selin (Marceline Rofit), irmã de Wawa, a personagem que faz a função de espectador dentro da narrativa. Tanna vai muito além da história de amor habitual: fala de diferenças, aceitação e acerta em ser natural.

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Tanna

7.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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