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Séries

Crítica: Super Drags – Rindo de tudo e todos

Nova animação da Netflix fala de temas atuais sérios com muito bom humor.

10 de novembro de 2018 - 14:39 - Tiago Soares

Exagerada. Esta é uma palavra que pode definir bem a nova animação da Netflix, Super Drags. Tudo parece ligado no máximo. Os personagens gritam, vociferam palavras difíceis de entender pra quem não está no nicho, além da animação super colorida e os traços que ressaltam cada voluptuosidade dos corpos. Dito isto você pode se perguntar: Esta série é pra mim? Se você estiver afim de dar boas risadas, com certeza é.

Neste sentido, a série brasileira criada por Paulo LescautFernando MendonçaAnderson Mahanski é irreverente ao extremo. Acompanhamos as aventuras de Patrick (Sérgio Cantú), Donizete (Fernando Mendonça) e Ralph (Wagner Follare), amigos que trabalham em uma loja de departamentos e além de terem que lidar com o constante preconceito de um chefe babaca, se tornam três heroínas: Lemon Chifon (Patrick), Scarlet Carmesim (Donizete) e Safira Cyan (Ralph), as “Super Drags”. Juntas  e comandadas por Vedet Champagne (Silvetty Montilla) terão que derrotar Lady Elsa (Rapha Vélez), que planeja roubar os Highlights (energia vital das gays) e voltar ao topo, destruindo Goldiva, a diva suprema vivida por Pabllo Vittar.

Com apenas 5 episódios a série tem tempo suficiente para tocar em assuntos bastante atuais e importantes para a comunidade LGBTQ+, sem perder o bom humor. Super Drags faz piada com tudo e todos, desde Marina Ruy Barbosa até igrejas evangélicas, passando por Anitta e as recentes fake news. As inspirações e referências são claras a Meninas Superpoderosas, South Park, Três Espiãs Demais e até Power Rangers na famosa “Hora de Morfar”, que vira Hora de Montar.

Sobra até pra bancada cristã, que tem a figura de um líder (que mais parece uma mistura entre Silas Malafaia e Jair Bolsonaro) ridicularizado e soltando barbaridades, repleto de apoiadores. Felizmente a série usa a acidez para tratar de temas tão sérios e sobram críticas até a própria comunidade LGTBQXZY (como dito em uma das piadas). O padrão de beleza a ser seguido, o preconceito dentro dos grupos com aqueles que são mais “afeminados”, e até com as lésbicas, nada passa diante dos olhos da série sem ser comentado.

A animação é muito bem feita e percebe-se um cuidado genuíno ao estabelecer a criação de um universo que reflete demais a realidade e apesar de referencial, também possui uma identidade. Muito se deve a abertura e trilha sonora escolhida a dedo e com a participação de Pabllo Vittar, que faz um belíssimo trabalho de dublagem pra alguém de primeira viagem. Identidade essa que se torna prejudicial até certo ponto, já que a série não se preocupa em expandir seus público (que acredite, já é bem grande). Super Drags se limita a falar com quem entende, apesar de que, o discurso contra qualquer tipo de preconceito seja universal.

Enfrentando todas as polêmicas antes de seu lançamento, é redundante falar que Super Drags não é uma série para crianças e apresenta piadas de baixo calão, sendo parte delas óbvias e visuais, como também sutis. É eficiente naquilo que se propõe fazer: incomodar. Assim como é importante em dar voz a quem já a possui e não sabia disso.