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Nova comédia romântica sul-africana da Netflix, Solteiramente mostra que uma sessão de terapia resolveria todos os problemas


Deixando um pouco de lado as comédias românticas adolescentes que a Netflix lança aos montes, “Solteiramente” estreia no catálogo prometendo trazer algo diferente, mas igual. Isso porquê se trata de um filme sul-africano, mas não espere algo muito distinto dos clichês de filmes norte-americanos. De certa forma, é isso que boa parte do público quer: um romance engraçado de fim de noite, com todos os maneirismos de uma produção já vista antes.

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Qual a história de Solteiramente?

Aquela esquentadinha no coração é trazida pelos irmãos estreantes Katleho e Rethabile Ramaphakela ao contar a história de Dineo, uma especialista em redes sociais que sonha em encontrar o amor. Acumulando relacionamentos fracassados de poucos meses, ela busca desesperadamente alguém para não ficar sozinha. Sua melhor amiga, a divertida Noni (Tumi Morake), tenta de todo modo mostrar as vantagens da solteirice e do desapego, sem sucesso.

Ao começar “Solteiramente”, a primeira ideia que vem a mente é que se trata de um filme de aceitação e amor próprio, e de certa forma a premissa é verdadeira. Ao mesmo tempo, a produção enfatiza valores conservadores de relacionamento e ausência da auto-valorização. As sequências em que a personagem “se humilha por macho” beiram o ridículo e a revolta.

Vendida como um filme leve, a comédia por vezes se torna problemática ao reafirmar um discurso ultrapassado, em que a felicidade de alguém depende de outrem. Os momentos mais engraçados se concentram na relação de Noni com Max (Yonda Thomas), um potencial casal repleto de química e bom humor, que trazem a leveza necessária ao mundo de personagens, que com certeza precisam de terapia.

solteiramente

Mas e aí, Solteiramente vale a pena?

Apesar da protagonista apresentar surtos dignos de uma pessoa psicótica, a nova geração diria que ela é intensa demais. A identificação é imediata, você já foi ou conhece alguém que tem a mesma “vibe” de Dineo (Fulu Mugovhani), que vive pulando em inúmeros relacionamentos, sem aprender muito sobre eles no processo, além de se enganar e acreditar no par perfeito.

Essa crítica as relações atuais e “liquidas” como a timeline do Twitter gosta de ressaltar, talvez seja o grande trunfo do filme, além é claro, do fato de lidar com pessoas que ainda não sabem o que querem. Essa obrigação que paira sobre os jovens de terem que decidir sobre o seu futuro tão cedo, é algo que o filme da Netflix pincela, mas não aprofunda.

“Solteiramente “é eficiente ao apresentar uma nova cultura, e ao mostrar a insegurança feminina perante um sistema feito quase que exclusivamente para tornar a mulher uma esposa e dona de casa dedicada. A amizade entre Dineo e Noni é bem desenvolvida, apesar de suas ambiguidades ideológicas e a produção termina com ares de novidade, mas com um discurso velho: ninguém é perfeito.


Ps: Os erros de gravação nos créditos finais são mais engraçados que o filme.


Solteiramente está disponível na netflix!

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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