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Gosto de Sin City. É um filme tão divertido e visualmente espetacular, que merecia uma continuação. Uma pena que, depois de quase 10 anos, o resultado desse segundo longa esteja tão longe do primeiro. Sin City 2 ainda é visualmente incrível, mas é chato, sonolento, previsível e mal desenvolvido.

Seguindo os moldes do filme original, Sin City 2 reúne três contos (sendo que dois desses são inéditos) escritos por Frank Miller e ligados de maneira fraca e unilateral por personagens que aparecem em todas as histórias. A primeira parte nos apresenta Johnny, um jovem galanteador e sortudo que decide entrar para a perigosa mesa de pôquer do Senador Roarke por motivos pessoais. A história funciona e até tem suas reviravoltas (que não são desenvolvidas), mas culmina em um final desastroso. Pelo menos Joseph Gordon-Levitt e Powers Boothe são atores gabaritados que conseguem tornar os personagens interessantes o bastante para que o público não abandone o filme após “The Long Bad Night”.

Inclusive Boothe e Mickey Rourke – respectivamente Roarke e Marv – são os personagens que ligam as histórias e não decepcionam. Por mais que o roteiro peque muito nessas conexões, que são completamente desnecessárias, os elos conseguem ser suportáveis – ou propositalmente insuportável, como no caso do Senador – e funcionais.

A segunda história é a única adaptada das HQs originais e também funciona em partes. Foi o conto que mais prendeu minha atenção, mas ele é longo demais e vai perdendo a força com facilidade. O que prende o espectador (considerando que o público-alvo do filme é o masculino) é a atriz Eva Green, que dá vida a Ava Lord. Ela aparece nua durante boa parte das suas cenas e incorpora completamente os trejeitos das mulheres fatais do gênero noir, sendo um dos grandes trunfos do longa. Coadjuvantes fracos (Josh Brolin, substituindo Clive Owen, e Christopher Meloni não chegam aos pés de Eva), diálogos fraquíssimos e situações perturbadoramente óbvias também marcam esse trecho. Considerando que esse conto dá nome ao filme, ele é mais fraco que o esperado.

Depois de um breve retorno da primeira história com a ótima participação de Christopher Lloyd, chegamos a conclusão do filme com o sugestivo “The Nancy’s Last Dance”. Esse conto traz de volta Nancy, a dançarina interpretada por Jessica Alba, que foi um dos destaques do primeiro longa, mas falha miseravelmente. A stripper já tinha marcado presença em pequenas cenas durante o filme, onde dançava e dava pistas interessantes do que estava por vir, entretanto quando chega sua hora de brilhar, o roteiro se atrapalha e desperdiça uma história com potencial. Usando recursos narrativos preguiçosos, o desenvolvimento de Nancy é tão esdrúxulo que nem a parceria com Marv ou a participação de um apático Bruce Willis conseguem salvar o plot.

Se o roteiro fica muito abaixo do esperado, a direção consegue manter o nível do original. O visual preto e branco, entrecortado pelo vermelho do sangue nos momentos mais fortes, continua sendo atraente e funciona muito bem junto com a trilha sonora. O problema é que isso é só mais do mesmo com a adição de um 3D interessante. Essa repetição por si só já me incomoda, aí o filme ainda me vem com um roteiro preguiçoso e chato que faz o filme andar em câmera lenta. Não conseguiu me fazer odiar o estilo ou o primeiro filme, mas Sin City 2 é um dos piores filmes que vi esse ano.

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