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Abel Ferrara nos oferece uma viagem inóspita entre passado, futuro e lugares distintos em “Sibéria”


Há anos o cinema trata o isolamento de forma aterrorizante e até prejudicial a seus protagonistas. De “O Iluminado”, “O Farol” e até “Doce Vingança”, os filmes abordam uma loucura quase que inalcançável, onde o personagem só cede aos seus desejos mais profundos, quando está sozinho.

Abel Ferrara faz o caminho oposto ao contar a história de Clint (Willem Dafoe), um homem atormentado pelo passado, que decide se isolar em uma casa nas montanhas. Nesse ambiente frio e hostil, ele vive sozinho e, em alguns raros momentos, interage com viajantes e nativos que não falam seu idioma e que visitam sua cafeteria.

O isolamento, porém, não é o bastante para que Clint encontre paz. Certa noite, confrontando seus problemas, ele acaba embarcando em uma viagem interna por meio de sonhos, memórias e delírios.

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Essa introspecção ironicamente externalizada, tem potencial na vasta paisagem de “Sibéria”, uma jornada pessoal e intimista, que ao mesmo tempo, afeta outras vidas. Ferrara está preocupado em dar um background para o seu protagonista, sem se importar com as amarras que permeiam sua imaginação e traumas.

Não se sabe o que podemos encontrar em “Sibéria”, já que esta viagem vai além do desconhecido. O que se percebe é um personagem multifacetado, que se envolveu com diferentes mulheres, teve um relacionamento conturbado com o pai, e consequentemente também, não foi um bom progenitor.

Os poucos diálogos, sobrepostos por monólogos do protagonista, deixam “Sibéria” com cara de estudo de personagem, na medida em que passeia pelas belas paisagens e adentra em sonhos cada vez mais surreais.

Mas nem só de virtudes e viagens transcendentais vive o homem. Clint confronta os seus problemas, e Ferrara explora isso com vigor, auxiliado pela fotografia enérgica de Stefano Falivene.

É praticamente um fetiche, um amor da câmera por Willem Dafoe, e “Sibéria” por vezes emula uma busca espiritual, subconsciente. e poética pela existência.


Filme visto na 44ª Mostra de São Paulo. Saiba mais sobre o evento AQUI.

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Sibéria

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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