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Com uma excelente direção e ritmo, “Shiva Baby” é puro constrangimento e ausência de amor próprio


A cena inicial de “Shiva Baby” é um sexo com gemidos absurdamente altos, daqueles que atrai a sua mãe para a sala de casa, para ver o que você está assistindo. É interessante notar essa metalinguagem acidental, já que constrangimento é aquilo que mais sentimos durante os poucos 77 minutos do filme.

Danielle (Rachel Sennott), quase formada na faculdade, é paga por seu sugar daddy e se apressa para encontrar seus pais neuróticos em uma shivá familiar. Ao chegar, ela é abordada por vários parentes distantes sobre sua aparência e a falta de planos de pós-graduação, enquanto sua confiante ex-namorada, Maya, é aplaudida por todos por entrar na faculdade de direito.

O dia de Danielle dá uma virada inesperada quando seu sugar daddy, Max, chega à shivá com sua talentosa esposa, Kim, e o bebê, que não para de chorar. Conforme o dia se desenrola, Danielle luta para manter diferentes versões de si mesma, se afastar das pressões da família e enfrentar suas inseguranças sem se perder completamente.

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shiva baby

Foto: Divulgação

Não há espaço para respirar no longa da estreante Emma Seligman, baseado no curta de mesmo nome de 2018. “Shiva Baby” une tudo o que pode tornar a vida da protagonista um verdadeiro inferno. Os pais, parentes e vizinhos invasivos, a ex (Molly Gordon, de “Bookmart”) e o “atual” (Danny Deferrari).

Os closes em Danielle, sobrepujados por cortes rápidos e uma câmera inquieta que a acompanha pela casa, dão uma sensação de claustrofobia. É pouco espaço para muitas pessoas. Mesmo em primeiro plano, nossa protagonista não deixa de notar tudo que acontece ao seu redor. É uma loucura.

Tudo isso, auxiliado pela boa e ansiosa trilha de Ariel Marx, e a direção de fotografia precisa de Maria Rusche, que dão unidade e sentido a toda gritaria. Um clima tenso se constrói, formando uma bola de neve intimidadora.

Foto: Divulgação

O riso gerado por “Shiva Baby”, é de desconforto. O caos que se instaura na vida de Danielle, ultrapassa o situacional. Ela não aceita que os outros podem mentir para ela, só ela tem esse direito. Ao mesmo tempo, Seligman usa desse artifício para falar da pressão dos pais sobre os filhos.

Essa catastrófica combinação, é afetada por algumas coincidências que “Shiva Baby” impõe sobre o espectador, mas quando acontecem, já estamos imersos demais naquela desordem, e o choro inofensivo de uma criança, parece o fim do mundo.


Filme visto no 28ª festival mix brasil. Saiba mais sobre o evento AQUI.

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Shiva Baby

9.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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