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Filmes

Shazam! – Coragem, família e diversão

Novo filme do universo DC abraça a diversão e a importância da família.


1 de abril de 2019 - 13:20 - Tiago Soares

A cada novo filme de herói somos bombardeados com perguntas que questionam se o gênero ou sub-gênero já não estaria desgastado, mas é inegável dizer que vivemos numa nova era de ouro dos super-heróis. Eles dão dinheiro, ao mesmo tempo em que arrastam multidões ao cinema, além da mensagem presente em seus filmes. Quando Richard Donner lançou Superman em 1978 ele trazia uma visão otimista de um salvador, o mundo podia ficar tranquilo pois o kryptoniano tinha adotado a Terra como seu lar, e a protegeria de tudo. Quarenta e um anos depois e com inúmeros filmes de super-heróis apresentando diferentes sub-textos, Shazam! novamente encontra sua força no heroísmo positivo, afinal trata-se de uma criança na pele de um herói mágico e adulto, que se relaciona com outras crianças, afim de encontrar um propósito.

Billy Batson (Asher Angel) é um jovem inconsequente que vive pelas ruas após se perder da mãe. Pulando entre lares adotivos, ele acaba encontrando uma casa num orfanato comandado pelo casal Vasquez, Rosa (Marta Milans) e Victor (Cooper Andrews), onde vivem juntamente com a fofa e falante Darla Dudley (Faithe Herman), o nerd gamer Eugene Choi (Ian Chen), o introspectivo e caladão Pedro Peña (Jovan Armand), a estudiosa e prestes a entrar na faculdade Mary Bromfield (Grace Fulton) e o viciado em super heróis Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer) companheiro de quarto de Billy. Um belo dia no metrô, o mago Shazam (Djimon Hounsou) dá seus poderes a Billy, após o garoto gritar o seu nome, se tornando o herói ainda sem nome (não por falta de tentativas) vivido por um imaturo Zachary Levi.

Ao iniciar com um prólogo focado no vilão Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong), o filme estabelece os dois lados de igual modo, ao mesmo tempo em que mostra parte da narrativa da perspectiva do vilão. Quando o herói é apresentado, o público já conhece como a trama funciona, pois o vilão – apesar de ser maniqueísta e por vezes unidimensional (algo que combina perfeitamente com o herói), já foi o responsável por trazê-la à tona. Dito isto temos dois contrapontos, luz e sombras, bem e mal praticamente estabelecidos desde o início, o que não é nenhuma desvantagem.

Com isso, Shazam! tem tempo suficiente para diluir o heroísmo que cada um tem dentro de si. A linha tênue entre ser covarde e cuidadoso está sempre sendo discutida. O pano de fundo é a família, fator importante tanto para o herói como para o vilão. Ambos tiveram criações e apresentam motivações totalmente diferentes – muitas delas nem pertencem a eles, mas de quem os convocou para ser seus campeões. De um lado o mago Shazam, do outro os 7 pecados capitais, apresentados aqui como os demônios que de fato são, algo que poderia muito bem ser abrandado devido a classificação indicativa do filme.

Falando nisso, David F. Sandberg (de Quando as Luzes se Apagam e Annabelle 2), cai como uma luva ao apresentar estes seres demoníacos de outro universo. Vindo diretamente do terror, o diretor constrói cenas assustadoras, auxiliados por uma trilha sempre presente e um jogo de câmeras que envolve sombras e bastante imaginação. Apesar de se estender em muitas cenas, principalmente nas piadas do segundo ato, todas funcionam perfeitamente. Quando os primeiros trailers saíram, muito se comparou o personagem com mercenário tagarela da Marvel: Deadpool, mas diferente dele o roteiro de Henry Gayden e Darren Lemke se utiliza da inocência e da ignorância de seu protagonista perante o universo de super heróis.

A química do trio protagonista formado por Billy, Freddy e Shazam (sendo este último impossível levar a sério mesmo como adulto), ocorre de forma natural e fluída, dando espaço para as referências necessárias a Batman, Superman, Aquaman e até Rocky Balboa, algo obrigatório já que os personagens vivem na Filadélfia. Toda essa organicidade torna o núcleo do orfanato a melhor coisa do filme e suficientemente necessária para trazer a pureza do herói. Shazam sorri, faz piadas e se utiliza da esperteza quando está lutando, algo que torna as cenas de ação inventivas e recheadas de uma pegada quase quadrinista, que deixaria a série do Batman de 1966 orgulhosa.

Seguindo numa crescente, principalmente no insano último ato, Shazam! mantém a grandiosidade, apesar da utilização de cenários infantis, dos quais qualquer criança irá se identificar. Figurinos exagerados, lojas de brinquedos, parque de diversões, e uma surpresa lúdica que sai diretamente dos quadrinhos, dão o tom de uma aventura simples, otimista e cercada de magia – provando que todo herói possui uma criança dentro de si e que família é onde o nosso coração está.


Obs 1: Parabenizar aqui os profissionais da Warner que não deixaram vazar em trailers ou vídeos promocionais algumas viradas de roteiro importantes para o filme.

Obs 2: O filme possui duas cenas pós créditos que já se tornaram um padrão (uma importante para o universo do filme e uma piada).