AODISSEIA
Filmes

Crítica: Selfie Para o Inferno

Uma selfie borrada e sem qualidade.

6 de junho de 2018 - 14:23 - Tiago Soares

São inúmeros os filmes que parecem ter uma ideia promissora no papel, e esse número aumenta quando essas ideais se utilizam das tecnologias atuais. Essas tecnologias tem sido usadas principalmente nos filmes de terror recentes, ou até no ótimo terror japonês Espíritos (2004), que já tem mais de uma década de lançamento.

Sejam fotos, vídeos ou internet (que tem sido utilizado de forma exorbitante), a revitalização está aí, como podemos ver no último filme da franquia O Chamado – um péssimo exemplo – que tinha tudo nas mãos, mas não soube aproveitar esse refresh.

Infelizmente Selfie Para o Inferno segue o mesmo caminho. No filme Julia (Meelah Adams), uma vlogueira, é atormentada por uma entidade que passa a persegui-la quando ela faz um simples ato de tirar selfies. Ao visitar a prima Hannah (Alyson Walker), adoece sem motivo aparente, e seu celular envia mensagens enigmáticas a Hanna, que se vê forçada a investigar o caso.

A premissa é ridícula, e o filme de Erdal Ceylan poderia continuar muito bem caso permanece como curta, que fez bastante sucesso em 2015. Esse filme cai na mesma sina do errado ‘Quando as Luzes se Apagam‘: brilhante como curta, mas nada memorável como longa.

O filme parece começar no meio. Não há um background dos personagens, nem como se afeiçoar a eles. É tudo muito rápido em questão de apresentação, mas sem dúvida os 75 minutos foram os mais torturantes em questão de ritmo. O terror não sabe no que focar, sempre introduzindo um novo plot bizarro.

Os atores parecem amadores, e tive que ir dar aquela conferida no IMDB pra ver se estava sendo injusto, infelizmente não era o caso. O roteiro – que parece esticado ao extremo – cheio de histórias paralelas pra aumentar o tempo de duração também não ajuda.

O excesso de jumpscares (algo que particularmente odeio) é muito prejudicial a qualquer narrativa, e subtende-se que o diretor está disposto a mais assustar o espectador, do que contar uma história. Por mais que tente parecer sério, nada funciona em Selfie Para o Inferno, deixando-nos com um arrependimento – o mesmo de ter postado aquela selfie não tão bonita assim – a diferença é que você não pode apagar.