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Séries

Crítica: Santa Clarita Diet 2ª Temporada

Disponível no cardápio do novo ano temos uma família disfuncional, um mistério a ser descoberto, uma pitada de zumbi e bastante sangue para acompanhar

16 de abril de 2018 - 10:51 - Kayque Fabiano

Quando a Netflix anunciou Santa Clarita Diet, uma série de comédia sobre zumbis estrelando ninguém menos que Drew Barrymore (Como se Fosse a Primeira Vez) muitos torceram a cara. A primeira temporada da série estreou em meados de 2017 e provou que é possível sim misturar comédia, pitadas de violência gratuita, mistério e sangue, muito sangue.

Se por um lado, a estreia da série foi acompanhada de algumas críticas relacionadas ao excesso de violência, por outro ela serviu de “entrada” para mostrar ao público em qual gênero a série quer se estabelecer.

O “segundo prato do cardápio” de Santa Clarita Diet (com o perdão do trocadilho) consegue ser melhor que o primeiro e conserta alguns erros que foram encontrados em sua primeira temporada. Não é fácil encontrar um equilíbrio ao se fazer uma série de zumbis que comem cérebro junto a um humor no meio de uma família de classe média americana. Mas a segunda temporada melhora substancialmente o roteiro principal sem trair sua identidade, a da comédia. Em determinados momentos tudo é tão implausível que você não consegue deixar de rir.

 

 

A forma como a mitologia da série cresce no decorrer dos episódios é instigante, e faz um grande contrabalanço com as mortes sangrentas (e põe sangue nisso) do novo ano. Se ao longo da primeira temporada, vimos como Sheila (Drew Barrymore) gradualmente se degenerou até chegar a um ponto em que ela teve dificuldade em controlar seus instintos mais primitivos, na segunda, isso é retomado e um dos primeiros objetivos deste novo ano é justamente descobrir uma maneira de controlar isso.

Desta forma, existe um equilíbrio cômico em Santa Clarita Diet, que permite que os roteiristas encontrem o ponto certo em que Sheila leva uma vida “normal”, enquanto na intimidade pensa em matar um nazista para comer.

Deve-se notar, a propósito, que a escatologia e as amostras gore estão no mesmo nível da temporada anterior, embora desta vez seu uso seja melhor realizado e também mais justificado. Drew Barrimore segue espetacular em seu papel de mãe/dona de casa/ zumbi, mas Timothy Olyphant (Duro de Matar 4.0) é quem sem dúvida dá a melhor interpretação cômica da série. A filha do casal Abby (Liv Hewson) e o vizinho Eric Bemis (Skyler Gisondo) também criam um subplot interessante e importante para o enredo.

 

 

O mais interessante em Santa Clarita Diet, porém – deste novo ano – é que o enredo mitológico ganha força, e o espectador pode descobrir mais detalhes sobre o que esses seres são. As respostas que são dadas sobre a origem inicial da infecção denotam um bom ritmo na trama, rápido o suficiente para que não haja nenhum tipo de similaridade com outras séries de zumbis. Podemos perceber que os criadores possuem uma ideia do que pode ter causado a infecção, o que já deixa um certo ar de alívio por parte do telespectador. (Alô The Walking Dead, segue a dica!)

No fim, podemos ver que o chef reviu a receita original e deu um “toque extra” de tempero nesse novo ano. Ah, e no último episódio o plot twist está lá viu? Em qualquer guia culinário, levaria, certamente, 4 estrelas. Como seriado, é mais do que uma comédia rápida pré-cozida e mais leve para digerir também. Bon appetit!