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Séries

Crítica: SAMANTHA!

Sem firulas, nova série brasileira da Netflix vai direto ao ponto como deve ser.

10 de julho de 2018 - 17:55 - Tiago Soares

Desde do primeiro teaser, Samantha!, nova série brasileira da Netflix, já mostrava que tinha potencial. Com piadas e sacadas rápidas, é até surpreendente a Netflix não ter investido antes no formato, já que o brasileiro ama uma comédia, seja ela boa ou ruim. Ao iniciar sua trajetória por aqui com 3%, a empresa se arriscou, mas conseguiu boa audiência e elogios, principalmente lá fora.

Com 7 episódios, Samantha! pode agradar muito os mais jovens, e até o mais velhos e saudosistas, que lembram muito bem de grupos como Balão Mágico, Trem da Alegria, e programas de auditório para crianças como os da Xuxa, Angélica, Mara Maravilha e por aí vai.

A série conta a história da personagem título, que fazia muito sucesso na infância e hoje vive apenas na lembrança do que um dia foi. Sendo reconhecida apenas por filhos de mães que foram fãs, Samantha vive no ostracismo característico das figuras mirins de Gugu e Faustão, apesar de que, diferente dos citados, arranca uma grana aqui e ali. Casada com Dodói, um ex- jogador do Flamengo que estava preso (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência), e com seus dois filhos Cindy e Brandon, tenta voltar aos holofotes de todas as formas absurdas e inimagináveis possíveis.

Samantha! nada mais é do que uma sátira, seja da TV, internet ou mundo atual. Estamos diante de uma série de comédia com episódios curtos e que vai direto ao ponto, ao mostrar o que quer e aonde quer chegar. Os caminhos até lá podem ser fáceis e clichês, mas quando usados de modo que a narrativa caminhe fluidamente, é aí que a série acerta.

Criada por Felipe Braga (Trash: A Esperança Vem do Lixo), Samatha! mostra que apesar de evoluir em alguns pontos, a futilidade e a busca pelo sucesso de maneira nada honesta, continua firme na TV brasileira, no formato absurdo de alguns programas e realities shows. Com a internet, o sensacionalismo barato domina e reflete a sociedade atual, e não há melhor maneira de escancarar isso, a não ser pela comédia.

Samantha! é uma série divertidíssima, que confia em si e sabe seu lugar. Parte disso se deve ao carisma do elenco. Emanuelle Araújo traz toda a beleza, simpatia e um pouco de loucura. A sua protagonista chega a irritar as vezes, especialmente na versão infantil com Duda Gonçalves, mas logo gera empatia na sequência. Douglas Silva é seguro e rende diálogos bem humorados, principalmente com os filhos, feitos pela leveza e debates atuais de Sabrina Nonata e questionamentos da “criança adulta” de Cauã Gonçalves.

Os coadjuvantes e participações especias também são excelentes, com destaque pra Daniel Furlan numa mistura de Renan (Choque de Cultura) com Craque Daniel (Falha de Cobertura), Ary França (Zé Cigarrinho) e Alessandra Negrini (Liliane, a menina cogumelo). A edição, que intercala muito bem passado e presente com flashbacks pontuais, unida a fotografia e direção de arte, nos transporta direto pros anos 80 e seus absurdos televisivos – tudo graças a Mari T. BeckerJosé Roberto Eliezer e Leticia Barbieri respectivamente.

Reverenciando Bojack Hoserman e visualmente inspirada em Bingo – Rei das Manhãs, Samantha! é uma série nacional pra matar rapidinho num dia ou num fim de semana e arrancar boas e gostosas risadas. A comédia mostrou muito potencial e termina com um curioso gancho, que pode render mais uma excelente temporada.