AODISSEIA
Filmes

Crítica: Sala Verde (Green Room)


13 de julho de 2016 - 11:00 - Tiago Soares

Tenso e visualmente incômodo: o Sicário de 2016.


gr_webHá exemplo do filme do ano passado de Denis Villeneuve, Green Room traz toda a tensão e um certo horror gráfico, auxiliado por excelente atuações e trilha sonora incrível. Vamos esmiuçar isso, mas vamos saber do que o filme se trata.

Após terminarem seu show, uma banda de rock acaba testemunhando um terrível ato de violência e um brutal assassinato. Como eles são as únicas testemunhas do crime, logo se tornam o principal alvo de uma gangue de skinheads. A banda então, terá que se refugiar na “sala verde” se quiser sobreviver à “queima de arquivos” promovida pelos brutais assassinos.

Simples e objetivo assim, apresentando a banda em seu início, para depois partir para uma tensão desenfreada. A sensação de incômodo que o filme causa no espectador é incrível. Estamos sempre com a impressão de que algo errado está acontecendo. A claustrofobia e desespero dentro do tal camarim, a “sala verde”, é alarmante. O filme também não economiza no grafismo. Temos membros decepados, cabeças explodidas por tiros, barrigas sendo abertas por facas, tudo sem cortes.

Aliás o diretor e roteirista Jeremy Saulnier, opta por deixar tudo de ruim (no bom sentido) á mostra, enquanto corta cenas sem importância de forma abrupta, como uma simples música tocando na vitrola. Um corte seco e bruto. É interessante ver que Jeremy filma todos apenas da cintura pra cima. O diretor quer que todos sintam uma falsa segurança, um sentimento de “está tudo bem, nada vai acontecer”, o que mostra a ignorância dos integrantes da banda.

Além disso o cineasta busca mostrar o máximo possível de cenas rápidas com a câmera parada, para que você não perca nada. Auxiliado pela excelente trilha sonora de BrookeWill Blair presente em todo o filme, com poucos momentos de silêncio. Anton Yelchin (que nos deixou de forma trágica este ano), prova que fará falta para o cinema em um dos seus últimos filmes. Vivendo Pat, o tímido líder da banda, traz um personagem muito introspectivo, e que como qualquer pessoa, não sabe o que fazer na situação. Ao lado de Amber (Imogen Poots) que parece sempre assustada, a moça guarda uma certa dose de mistério, mas se mostra uma mulher forte, e ambos se destacam acima dos outros.

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Mas o trabalho primoroso fica a cargo do neonazista Darcy (Patrick Stewart), o ator que dispensa apresentações, vive um homem metódico, nunca deixando claro o que quer. Ao lado de sua equipe igualmente psicopata, Patrick apresenta um vilão que abandona a voracidade na voz e surtos, é tranquilo e ótimo com as palavras, auxiliado pela voz empossada, estamos diante de um dos melhores antagonistas em filmes de horror.

Sala Verde (Green Room), se diferencia por ter um roteiro coeso, fechado e que não enfeita para chamar atenção. A simplicidade da narrativa, optando por sempre mostrar tudo que acontece, sem maneirismos, é a principal qualidade do filme. Liberdades visuais como filmar um cachorro andando uma longa distância até o seu dono, me faz colocar Jeremy Saulnier na minha lista dos diretores em potencial.


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