AODISSEIA
Filmes

Crítica: Roman J. Israel, Esq

O longa rendeu indicação a Denzel Washington para Melhor Ator no Oscar 2018

23 de Fevereiro de 2018 - 23:13 - felipehoffmann

Roman J. Israel, Esq. é um filme capaz dividir opiniões de quem o assiste. Não por ele ser ruim, mas por deixar a sensação de faltar algo que deixaria o novo trabalho de Dan Gilroy perfeito.

O roteiro de Roman J. funciona dentro de sua proposta, principalmente na construção do protagonista, vivido por Denzel Washington (Um Limite Entre Nós). A jornada do personagem é cercada de dilemas éticos e atitudes questionáveis, porém elas servem para mostrar um arquétipo de advogado bastante explorado.

O mundo da lei em Roman J. Israel, Esq. é divido entre as grandes e ricas corporações que desfrutam do lucro dos processos criminais, e das ONGs cheias de voluntários que fazem seus trabalhos com pouca ou sem nenhuma ajuda financeira.

Por sua vez, a direção de Dan Gilroy (O Abutre) é carregada e certeira como em seu trabalho de estreia. A trilha sonora se destaca e a fotografia serve à narrativa com perfeição, complementando situações e fazendo parte da história de maneira bem orgânica.

No entanto, o grande problema de Roman J. Israel, Esq. está em estabelecer seu foco e seu tom adequado, culminando ainda em certos problemas de ritmo. Em certas ocasiões o filme se mostra confuso, tentando estabelecer um ponto de passagem entre um ato e outro.

Ainda assim, o seu grande destaque está em um Denzel Washington surpreendente mas discutivelmente indicado ao Oscar. Denzel tem méritos em construir um protagonista que anda perfeitamente na linha entre a loucura, a idiotice e a pura inteligência, recheando Roman J. de trejeitos que só tendem a dificultar o trabalho.

No final das contas, Roman J. passa longe de ser um O Abutre, porém cumpre seu papel como estudo da ética e da moral através de um protagonista louco que se afunda nas próprias escolhas.