AODISSEIA
Filmes

Crítica: Quando Te Conheci (Equals)

Sentir algo, ou seria melhor não sentir nada?


20 de julho de 2016 - 11:00 - Tiago Soares

 

Equals, lançado diretamente em DVD aqui no Brasil chega com o título Quando Te Conheci, bem genérico comparado a produção, que não se trata de um simples romance. No futuro, existe uma nova raça de seres humanos: os Equals, indivíduos pacíficos, justos e que não possuem mais emoções. Até que uma doença passa a ameaçar todos, ativando sentimentos em suas vítimas, que são excluídas do resto da sociedade. Silas é infectado, mas percebe que Nia também possui sentimentos, sendo capaz de escondê-los.

 

Antes de falar da narrativa em si, é importante ressaltar que o filme de Drake Doremus, não apresenta nada de novo, o filme chegou a ser comparado ao drama adolescente “O Doador de Memórias“, na realidade os aspectos técnicos e as atuações se sobressaem aqui.

 

Nicholas Hoult mostra empatia de cara, e entrega uma ótima atuação como Silas. O personagem não tem aspirações maiores e vive nesta sociedade pacífica e conformada. Já Kristen Stewart vem acumulando bons trabalhos, e não é diferente neste. A atriz apresenta uma boa carga dramática, e a falta de emoção que seu personagem exige.

 

A fotografia de John Guleserian é incrível. Consegue transmitir toda a falta de sentimento deste mundo, em tons de cinza e no branco constante. Quando os personagens começam a sentir algo, ou estão juntos, a paleta de cores azul durante a noite, e o laranja durante o dia, surgem em tons granulados e ocupam a maior parte da tela, em planos contra-luz. É como se o sentimento ultrapassasse os personagens. A preocupação com o detalhe, o simples sentir das gotas caindo no corpo durante o banho e a degustação da comida de forma diferente, são vantagens da produção.

 

A trilha sonora de Dustin O’Halloran apresenta um piano com notas pesadas. Como se estivéssemos presos, nas partes em que a tensão aumenta, inclusive nas mais sentimentais. A discussão, seria melhor ter sentimentos e vive-los intensamente? Ou não sentir nada? As questões filosóficas sobre o homem querer explorar o universo a sua volta e não prestar atenção nas coisas mais simples ou mais próximas a ele, rendem bons diálogos.

 

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Além disso, o sentimento de constante vigilância em que os protagonistas se encontram é um ponto a favor. Além dos seus superiores, seus próprios colegas os vigiam de forma impaciente, causando uma sensação incômoda. Apesar de possuir vantagens, o roteiro se torna mediano por focar apenas no casal em questão, deixando de explorar esse novo mundo, apresentado meio que, superficialmente. Queríamos saber como tudo funcionava e como chegamos ali.

 

A falta de motivação de alguns personagens, em especial os de Guy Pearce Jacki Weaver, e um final que podia ser bem mais corajoso (e teve chances para isso), torna Equals um filme belo e fácil de assistir, mas apenas isso. Talvez, apenas a beleza não seja suficiente, e um pouco de profundidade e mais sentimento, faria diferença.