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Poderia Me Perdoar é um filme que encontra força no seu discurso, mas não é conduzido de uma maneira que cause interesse ao espectador…

Lee Israel poderia muito bem ser aquele conhecida popularmente como a “tia dos gatos”. Gay, sociofóbica e centrada em seu próprio mundo, a escritora e jornalista se tornou famosa não necessariamente por seus livros, mas sim pela sua escrita. Confuso né? O fato é que Lee transcrevia e falsificava cartas e assinaturas de personalidades famosas que já foram dessa para uma melhor, as vendendo como se fossem autênticas a bibliotecas e colecionadores. O livro homônimo em que “Poderia me Perdoar?” é baseado pode ser encarado como um pedido de desculpas aos escritores e aqueles que tiveram suas vidas afetadas.

Vivida por uma quase irreconhecível Melissa McCarthy, a trama parece não existir sem a presença da própria atriz que apresenta todas as nuances de uma pessoa que as vezes é divertida, mas guarda traumas e possui muitas feridas abertas. Sozinha, morando apenas com seu gato, Lee não tem qualquer contato com outro ser humano, e procura afastar todos que se aproximam. Se na vida pessoal nada vai bem, na profissional muito menos, já que sua editora não entra em contato e Lee não escreve um livro novo há um bom tempo.

Dirigido por Marielle Heller (“O Diário de uma Adolescente”), o filme é bem conduzido e tem uma fotografia alternando entre luz e escuridão, onde as vezes – Lee aparece como o único ser iluminado de alguns lugares (as cenas do bar por exemplo). O principal problema está no texto cercado de diálogos muitas vezes óbvios e que apenas reafirmam uma condição já vista. Lee acaba se reencontrando e se sente bem ao escrever aquelas cartas, mas o roteiro poderia muito bem mostrar mais do conflito interno da personagem. Sua amizade com Jack Hock (Richard E. Grant) é um dos pontos mais fortes e relevantes do filme.

Apesar de Melissa estar muito bem e fora de sua zona de conforto, E. Grant rouba a cena e justifica sua indicação ao Oscar em uma atuação divertida, cercada de olhares e gestos – que tem muito mais a dizer do que sua figura falante. A química entre os dois flui perfeitamente e ambos são antagonistas em suas motivações. Apesar de não tratar sua protagonista como uma heroína, Poderia Me Perdoar? é frustrante ao não mostrar a história com o peso e importância que tem, se apoiando numa mulher frustrada e antipática que não gera identificação ou empatia, mas é surpreendentemente interessante.

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Poderia Me Perdoar?

5.5

Tiago Cinéfilo
Há 4 anos nessa viagem. Estudante de Rádio, TV e Internet. Ex-Clock Tower, ex-Cinema Com Rapadura e ex-fã de The Walking Dead.

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