Piratas do Caribe é uma franquia extremamente desgastada, mas o quinto filme funciona como uma boa diversão para domingos chuvosos
É impossível começar essa crítica sem lembrar com a ideia de transformar um brinquedo em filme se tornou um dos maiores acertos comerciais da Disney, elevando Johnny Depp ao status de astro durante o percurso. A recepção da crítica e do público surpreendeu, o faturamento foi bilionário e nem a qualidade condenável de alguns longas foram capazes de afastar o público dos cinemas. O resultado de todo esse caminho é mais uma continuação na figura de Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar: um quinto filme repetitivo e desgastado, mas bastante divertido.
Dessa vez, a história acompanha Henry Turner (o filho do Legolas em pessoa) em sua jornada para encontrar o Tridente de Poseidon, um artefato mágico que poderia acabar com a maldição que seu pai abraçou no terceiro longa. Sua única ajuda vem através de uma jovem astróloga e do renomado Jack Sparrow, porém as coisas complicam quando todos precisam fugir de uma tripulação fantasma liderada pelo vingativo (dã!) Capitão Salazar.
O design de produção de Piratas do Caribe continua sendo um acerto indiscutível. Navios, figurinos, criaturas e armamentos sempre foram marcantes dentro da franquia, mas preciso admitir que a construção visual do Capitão Salazar me conquistou logo de cara. A boca preta, a cabeça oca e os cabelos que parecem estar sempre embaixo d’água criam uma personificação assustadora e, ao mesmo tempo, muito bonita. Talvez ele só perca para Davy Jones e seus tentáculos em movimento.
Suas respectivas motivações até que são bem apresentadas, mas vão se perdendo no meio de personagens apáticos, mais coincidências e escolhas um pouco machistas. Henry Turner e sua vontade de salvar são bem apresentadas e funcionam como uma espécie de fio condutor para a trama, porém a atuação de Brenton Thwaites (Deuses do Egito) entrega alguém sem carisma suficiente pra arrancar a torcida do espectador. Jack Sparrow continua o mesmo protótipo de Han Solo exagerado, mas Johnny Depp (Animais Fantásticos e Onde Habitam) deixa claro que já não tem o mesmo vigor e ânimo para fazer aquele papel. Pelo menos, as piadas direcionadas pelo Capitão funcionam em sua maioria.
Apesar dos trancos, barrancos e imitações baratas do romance entre Will e Elizabeth, os personagens possuem uma relação bem construída e conduzem o espectador por uma trama contida e enxuta. Não existe nenhuma dúvida de que a fórmula está bastante desgastada, porém Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar cumpre sua proposta de ser uma boa aventura e vale muito mais a pena do que aquela coisa decepcionante que chamam de quarto filme. Pelo menos esse retorno diverte o suficiente e não deve decepcionar quem estava com as expectativas medianas. Esse é um indício muito positivo, considerando que as buscas por tesouro não vão parar tão cedo.
OBS 1: Kaya Scodelario é meu novo crush do cinema. Que olhos azuis e jeitinho brasileiro!
OBS 2: A cena pós-créditos de Piratas do Caribe 5 (fique até o final!!) pode indicar várias coisas, sendo que a mais interessante é o retorno de um vilão clássico.
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