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Acho que esse é o único filme indicado ao Oscar de Melhor Filme que eu não fiz uma critica, por que foi o filme mais difícil de analisar, mesmo com seu estilo leve e simples. Philomena é um filme que abraça diversos gêneros, fala sobre diversos temas e se mostra mais complexo do que aparentava ser.

O filme conta a história de dois personagens: Philomena Lee e Martin Sixsmith. A primeira é uma mulher forte, doce, ingênua e, mesmo com tudo o que sofreu, mantém sua fé inabalável. Do outro lado do ringue está o cético Martin, um jornalista que não passa pela sua melhor fase profissional. A relação desses dois é a alma do filme.

Explicando melhor, Philomena ficou grávida com 18 anos de idade e teve seu filho vendido pelas freiras que fizeram o parto. Por 50 anos ela buscou incessantemente seu filho, mas o rumo dessa caçada só muda quando Martin entra na história, mesmo não tendo nenhum interesse por histórias desse tipo.

O roteiro, escrito por Jeff Pope e Steve Coogan (que também interpreta Martin), é certeiro ao traduzir o livro usando dois pontos de vista, transformando assim o jornalista em personagem. O normal – e mais simples – seria focar a história em Philomena sem dar grandes contornos à Martin.

Esse é o grande trunfo do filme, já que a relação dos dois ocupa grande parte do filme. Entre eles também surgem vários diálogos interessantes que falam sobre religião e fé. As personalidades completamente opostas dos dois ainda geram momentos engraçados, usando o ótimo humor britânico. Um dos melhores desse é a cena onde ela fala sobre o livro que leu no voo para os EUA.

Outra coisa importante para o longa é não ser nem um pouco óbvio, sendo que isso acontece por que a história real não é clichê. Os rumos dados a alguns personagens abrem espaço para falar sobre a Igreja, o homossexualismo e até sobre a AIDS, enquanto reviravoltas interessantes surpreendem o público.

Tudo isso é feito de uma maneira tão natural pelo roteiro, que, mesmo com todas as criticas e mudanças na história, o filme nunca perde o ar leve e bonitinho. Quem não espera muito de um filme desse pode se impressionar, gargalhar e chorar onde não esperava fazer nada disso.

A direção de Stephen Frears (dos ótimos Ligações Perigosas, Alta Fidelidade e A Rainha) também é pontual e simpática. Ele acerta na climatização do filme, deixando ele com esse estilo britânico, onde um drama carregado pode ser quebrado por alívios cômicos inesperados e genuínos.

O outro acerto é focar inteiramente sua direção nas atuações brilhantes dos protagonistas, que são a alma da história. Stephen não abre mão de focar sua câmera na dama Judi Dench e arrancar todas as emoções possíveis da atriz, assim como faz de Steve Coogan o ator perfeito para dar vida ao seco Sixsmith.

Os personagens de ambos carregam os filmes, por serem os protagonistas, por estarem sozinhos em grande parte das cenas e por serem extremamente complexos. Judi, pra variar um pouco, não falha em nenhum ponto da criação de uma Philomena ingênua, religiosa e forte, sem perder a doçura e a verdade. Tudo isso pode ser percebido através dos olhares da atriz, que captados de maneira brilhante pelo diretor.

Steve Coogan é um ótimo comediante, mas nunca tinha tido uma atuação dramática tão interessante. Ele merece ser destacado não só por ter uma atuação sensacional, dividindo o drama com momentos divertidíssimos, mas também por ter apostado na produção do longa, já que, além de atuar e roteirizar, ele produz o filme.

Um filme poderoso e verdadeiro, que consegue arrancar risos e lágimas de qualquer pessoa. Sua temática é interessante e importante, mas nada supera a beleza e a tranquilidade que o filme passa para qualquer espectador.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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