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Mais um documentário com cara de ficção, “Pequena Garota” mostra um processo doloroso e emocionante sobre infância e gênero


Quando Sébastien Lifshitz filma a pequena Sasha se arrumando em frente ao espelho, é evidente que o diretor francês quer gerar uma empatia imediata, e é isso que acontece. Vale ressaltar que “Pequena Garota” não é um documentário de descoberta, já que a menina já sabe muito bem como se identifica, mas foca na batalha dos pais, para que a sociedade a aceite.

Sasha, de 7 anos, sempre soube que era uma menina, embora tenha nascido menino. Como a sociedade segue falhando em tratá-la como as outras crianças de sua idade – na sua vida diária na escola, nas aulas de dança ou em festas de aniversário – sua dedicada família trava uma batalha constante para fazer com que sua diferença seja compreendida e aceita.

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pequena garota

Foto: Divulgação

Através do relato da família, mais precisamente da mãe, Lifshitz caminha por veredas tortuosas, já que se trata de um assunto complexo. No interior da França, Sasha esbarra no conservadorismo, mesmo tendo psicólogos, pais, e irmãos ao seu lado.

Quando um grande baque vem, colocando a perder tudo aquilo que já foi conquistado, a direção pesa a mão nos closes, se aproximando de Sasha, que chora baixinho e de forma tímida. A cena inclusive, é de partir o coração.

“Pequena Garota” está disposto a falar de assuntos complicados, mesmo que faça isso com certa paixão, tornando a vida de Sasha uma espécie de videoclipe diário, graças a fotografia de Paul Guilhaume. A todo o momento, os adultos se perguntam se vale a pena lutar, e as crianças vão pelo mesmo caminho.

Foto: Divulgação

Aliás, é importante ressaltar que se trata de uma criança, portanto, é duas vezes mais cruel vê-la passando por situações preconceituosas, por vezes veladas. Para ser justo, Lifshitz não cria um ar de fetiche, mas também não esconde as dificuldades.

Mesmo trazendo problemas reais, “Pequena Garota” parece um documentário encenado, sensação provinda de escolhas estéticas. O elemento não chega a ser um grande problema, mas um pouco mais de paciência, sem se importar com grandes viradas, poderiam deixar o filme com um ar mais palatável e menos hostil.

Por fim, a forma gentil com que acompanhamos a pequena Sasha, compensa. Ela ainda não compreende o mundo a sua volta, e nem o porquê de tantas burocracias. Talvez falte a nós, a inocência dessa pequena garota.


Filme visto no 28ª festival mix brasil. Saiba mais sobre o evento AQUI.

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Pequena Garota

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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