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Leve, divertido e esquecível


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A receita de alguns filmes é simplesmente aproveitar uma história básica e alguns rostos conhecidos para conseguirem algum resultado momentâneo. A questão é que colocar uma pitada a menos de sal ou deixar o filme passar do ponto pode fazer com que ele se torne completamente esquecível.

Pegando Fogo conta a história de Adam Jones, um chef arrogante e obsessivo que, após alguns problemas com drogas, volta para o mundo da gastronomia para recuperar sua credibilidade e alcançar a terceira estrela do guia Michelin, uma espécie de Oscar dos restaurantes.

Como já disse lá em cima, é uma história básica e extremamente simples. No entanto, isso não é necessariamente um problema porque os roteiristas Steven Knight (Senhores do Crime) e Michael Kalesniko (Deu a Louca nos Nazis) incluem uma colher de sopa de comédia, uma piadinha de romance e uma xícara de superação, fazendo com que ela funcione de uma maneira leve que prenda o espectador até o final.

A direção de John Wells (Álbum de Família) também acompanha muito bem a proposta do roteiro, fazendo o simples e só errando em alguns contra planos que são ignorados. O destaque fica exatamente com os planos detalhes e com a boa edição de Nick Moore (O Pequenino) para criar cenas de porn food que dão fome em qualquer alma.

O grande erro do roteiro está no desenvolvimento dos seus personagens, principalmente porque deixa todos os acontecimentos importantes para os últimos 25 minutos. Isso faz com que, depois de uma hora de status quo, todas as evoluções (principalmente do protagonista) soem totalmente falsas, irreais e óbvias demais.

Entretanto, o pior é que isso influencia no grande elenco do longa, que não tem muito material para trabalhar e são desperdiçados. É realmente triste e praticamente imperdoável ver grandes atores como Bradley Cooper, Matthew Rhys, Sienna Miller, Daniel Bruhl, Omar Sy e Alícia Vikander presos a personagens rasos ou a um único momento que só está ali por pura necessidade de fazer a história andar.

É justamente isso que faz com que esse filme deixe de ser apenas um passatempo leve e divertido para se tornar um produto básico e que poderia ser muito melhor. Pegando Fogo até funciona, é bonito e prende o espectador com toda aquela comida chique durante a projeção, mas se torna esquecível assim que você desliga a televisão e lembra que existem outros filmes melhores sobre o tema.


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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

Chef (2014)

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