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Passaro-Branc-na0Nevasca

O que parecia ser um simples drama independente sobre as transformações da adolescência acaba sendo algo muito mais complexo e interessante do que eu esperava. Um drama forte com contornos de suspense que peca um pouco no final, mas não perde sua força.

O filme conta a história de Kat, uma garota de 17 que vive em uma família aparentemente normal com uma mãe infeliz e um pai completamente apático. De uma hora pra outra sua mãe desaparece e sua vida vira de cabeça pra baixo, enquanto descobre sua vida sexual e outras responsabilidades da vida adulta.

O roteiro e a direção do filme são do cultuado Gregg Araki e ambos os quesitos funcionam bem, mas o texto merece um destaque muito maior. A construção da história, que possui várias linhas temporais, é fluída e consegue prender muito bem a atenção do espectador. As pistas vão sendo distribuídas aos poucos de acordo com a evolução de Kat e seus respectivos flashbacks, sendo que vamos compreendendo mais sobre os próprios familiares.

A reviravolta em si é um pouco brusca e me deixou com a sensação de que faltou um pouco de unidade com tudo o que foi construído no filme, que não é necessariamente focado nisso e sim em como o acontecimento mexe com cada um dos personagens. Ainda assim isso não tira a força do final que continua criticando friamente alguns aspectos sociais.

É essa linguagem critica pesada que chama mais atenção e faz o filme ser bem diferente do que eu esperava. Nunca tinha visto uma produção focada em uma adolescente tratar com tamanha simplicidade de assuntos tão complexos. Aqui o sexo não tem tabu, a mãe pode ter inveja da própria filha e o casamento não é nada perfeito. Instituições sociais antigas que não costumam ser criticadas são usadas de maneira ácida e ironizada aqui.

Sentado na cadeira de diretor, Araki também faz um bom trabalho, mantendo a fluidez das cenas e trabalhando bem com a fotografia, direção de arte e a edição. O aspecto fotográfico merece até mais atenção por transmitir com eficiência as emoções, usando cores quentes e um tanto quanto artificiais nos flashbacks e cores mais frias e densas no restante do filme, e transporta o público para os anos 80, onde boa parte da história se passa.

Ainda que o roteiro seja forte o bastante e que a direção consiga conduzir a emoção do público de maneira certeira, o que o filme tem de melhor é o seu elenco. Shailene Woodley mostra que sabe mesclar bem produções independentes com os blockbusters e cria uma personagem complexa e bem interessante. Também acho interessante chamar atenção para o fato de que, em um mundo politicamente correto que combate a nudez, Shailene não tem pudor nenhum de ficar completamente nua e fazer cenas de sexo como uma adulta.

Quem também se destaca, pra variar um pouquinho, é a brilhante Eva Green em uma de suas personagens mais surtadas. Ela caminha muito bem entre uma montanha-russa de emoções que vão dá tristeza até a raiva, passando pela inveja e paixão. Ao seu lado, Christopher Meloni também manda bem como o pai apático e simples, sendo que ele consegue compreender muito bem os motivos para o seu papel ser desse jeito.

Além dessa ótima trinca, completam o elenco Shiloh Fernandez, Angela Bassett, Gabourey Sidibe e Thomas Jane. Eles não atrapalham, mas também não tem grande destaque dentro da história focada naquele núcleo familiar disfuncional.

Não é um filme brilhante, mas é poderoso e bem feito. Pássaro Branco na Nevasca sabe usar as criticas e emoções à seu favor e vale a pena pelo seu ótimo elenco e texto intrigante. É um belo drama sobre família, casamento e transformações.

Interestelar

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