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Sem levar em conta a qualidade dos filmes, é um fato que a franquia Madagascar foi um grande sucesso da Dreamworks. Mesmo com todos os principais extremamente carismáticos, quem roubou a cena nos três filmes foram os Pinguins, então eu acho que demorou muito para que o estúdio apostasse em um spin off  estrelado por eles. Uma aposta segura, que não inova, mas diverte.

O filme começa com um flashback, onde Capitão, Kowalski e Rico salvam e conhecem o Recruta. Logo depois, somos jogados para o futuro e vemos eles agindo como um grupo de espiões com o objetivo de entrar no prédio mais seguro dos EUA. É aí que eles conhecem Dave, um polvo rejeitado pelo público após a chegada dos pinguins no zoológico e agora busca por vingança.

Tudo dentro da história é muito simplificado, deixando claro que essa é apenas uma aposta para encher os cofres. E isso não é necessariamente ruim, por que o simples tem dois lados e pode funcionar se for bem feito. Por um lado, fico decepcionado por vejo muito mais potencial nos pinguins para fazer algo ainda melhor. Mas a opção pela simplicidade, nesse caso, abriu espaço para a comédia e a ação desenfreadas.

Realmente acho que os personagens mereciam algo mais profundo, mas o roteiro consegue trabalhar muito bem com o que já tem em mãos e diverte todos os públicos com facilidade. Como esse não precisa ser um filme completamente de apresentação dos heróis, eles acertam em cheio em já pular para a ação. Até a cena deles pequeninhos nas geleiras é uma cena de ação e isso é impressionante, porque eles conseguem desenvolver o que acharam necessário durante a ação.

As piadas também são – em sua maioria – inseridas durante a ação, principalmente porque a maioria delas está ligada de alguma maneira aos filmes de ação e espionagem. E aqui temos um ótimo exemplo de filme onde o excesso de clichês não incomoda, por que a produção absorve tudo isso e transforma em risadas. Inclusive, muitas dessas gags vão acabar tendo mais graça para os mais velhos.

Entretanto, essas brincadeiras já eram esperadas por fazerem parte da própria série de TV que os os pinguins estrelaram. O diferencial está em todo o resto, que também vira piada. É um humor simples que faz piada de – literalmente – tudo. Temos piadas metalinguísticas, culturais, animais, físicas e até musicais. É realmente espetacular ver eles usarem um personagem na trilha sonora de uma cena de ação.

E o grande acerto da produção é conseguir prender a atenção de todo tipo de público. Como já disse, muitas piadas só vão ter graça para os mais velhos, como essas auto referências na trilha ou trocadilhos infames. Afinal, nem toda criança vai sacar a zueira genial com o nome do lobo que lidera o grupo Vento do Norte. Mas os que não entenderem essa, também vão se encontrar nas piadas físicas e nas explosões caricaturais.

Outro dever importantíssimo do roteiro, além de divertir, era desenvolver os Pinguins como protagonistas da sua própria história e não como coadjuvantes que roubaram a cena. E eles fazem isso bem, dando um papel inusitado e central para o Recruta, fortalecendo as relações deles e fazendo poucas referências à franquia original. De fato, Madagascar só é citada em uns três momentos, sem interferir na história geral. Com uma pequena exceção para o Rei Julien, que aparece na cena pós-créditos.

E a comprovação do protagonismo de Capitão e sua trupe realmente acontece quando eles recebem seus próprios coadjuvantes, que chegam bem perto de roubar a cena e criar um ciclo vicioso. Do lado malvado, o vilão, Dave, é surpreendentemente bem desenvolvido e tem uma motivação interessante. Do lado bom, todos os integrantes do Vento do Norte conseguem ter boas participações e contracenarem bem com os pinguins. Se fizessem um outro spin off dentro desse spin off com qualquer um desses coadjuvantes, eu iria acabar ficando com vontade de ver, porque todos eles são bem carismáticos.

A direção do filme, que ficou por conta de Eric Darnell (diretor de todos os filmes da franquia Madagascar) e Simon J. Smith, também é bem simples, mas funciona bem. Eles ficaram com a responsabilidade de criar cenas de ação movimentadas, que servissem de apoio pra todo o desenvolvimento do longa e ainda funcionassem sozinhas. E eles conseguem, mesmo sem grandes avanços visuais ou técnicos, realizar isso com louvor.

As vozes também são muito boas e a dublagem, que segue o que foi feito em Madagascar, é bem interessante. Entretanto não posso deixar de ficar com vontade de assistir a versão original, porque algumas daquelas vozes certamente dão um toque especial. Eu realmente quero ver todo o trabalho feito por Benedict Cumberbatch, John Malkovich, Ken Jeong, Peter Stormare e até o recluso diretor Werner Herzog.

Um filme que acerta ao apostar no simples, mas comete seu único erro ao não se aprofundar na histórias dos personagens. Ainda assim, esse é mais um bom filme da Dreamworks que merece ser visto pelo divertimento que ele consegue proporcionar. Boas cenas de ação, muitas piadas e um filme só com criaturas fofas pode ser considerado imperdível.

12 Homens e Uma Sentença (1957)

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