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Critica: Os Mercenários 3


21 de agosto de 2014 - 15:00 - Flávio Pizzol

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Essa franquia é uma das poucas em que as pessoas tem o privilégio de esquecer qualquer outro aspecto cinematográfico. Ou alguma pessoa no mundo consegue tentar pensar muito em roteiro e nível de atuação, quando se tem Sylvester Stallone, Jason Stathan, Wesley Snipes, Harrison Ford, Mel Gibson e Antonio Banderas juntos em cena. O segredo é simplesmente abrir sua mente e curtir o porradeiro.

Nessa terceira aventura, Barney decide aposentar o grupo de mercenários após um ataque que feriu um dos homens. Mas ele ainda tem uma missão para completar e, para isso, contrata um outro grupo de jovens mercenários. Claro que algumas coisas vão dar erradas e os antigos parceiros vão voltar para explodir tudo, salvar o dia e mostrar quem é que manda.

Eu não consigo comparar muito o nível das histórias apresentadas pela franquia. Todas são rasas e óbvias, tendo o simples objetivo de ser nostálgica e divertida. Ainda assim, acho que esse terceiro longa é o que tem mais extremos relacionados ao roteiro. Se a apresentação dos novos membros funciona, as situações em que eles se envolvem são fracas. Se essa se mostrou a história mais coesa da franquia, ela também mostra sinais de desgaste na fórmula que impressionou todo mundo no primeiro filme.

Não pense que estou dizendo que o filme é ruim, mas ele tem alguns problemas. Ainda assim, o saldo é positivo. Por exemplo, as piadas e as cenas de ação são muito superiores ao que foi mostrado no segundo longa. Mesmo com efeitos especiais mais porcos e uma câmera que tenta fugir da violência gráfica (se impressionem, mas os produtores decidiram abaixar a classificação etária e tirar o sangue e os xingamentos), as cenas de ação são mais explosivas e insanas. É aqui que o diretor Patrick Hughes demonstra ser mais competente que Simon West – do segundo longa – e faz um bom trabalho com o que tinha em mãos.

As piadas também deixam o filme muito divertido. São tantas zuações internas com a idade dos protagonistas, com a saída do Bruce Willis, com a prisão do Wesley Snipes e com os outros filmes clássicos feitos pelos membros do enorme elenco, que você pode achar que está vendo uma continuação de É o Fim. Eles parecem ter se divertido nas filmagens e conseguem segurar boa parte do filme com essas autorreferências. Isso sem contar com a participação de Antonio Banderas, a adição mais divertida de todos os tempos.

Uma das coisas que estão sendo mais criticadas nesse filme é a participação dos novos mercenários. A maioria das criticas fala que eles não tem carisma nenhum, mas isso não me incomodou, porque eles são desenvolvidos de maneira simples e extremamente funcional. Se for comparar, posso citar a participação de Liam Hemsworth em Mercenários 2. Ele aparece por cinco minutos, é morto sem que o público se apegue ao personagem e ainda querem que o público compre aquela vingança. Nesse longa, que também é movido por uma espécie de vingança envolvendo Julius Caesar, eu consegui me sentir mais próximo desses novos membros, sejam os novatos (Kellan Lutz, Ronda Rousey, Glen Powell e Victor Ortiz) ou os veteranos. No caso desses últimos, Wesley Snipes manda na primeira parte do filme, Banderas é muito divertido e insano, Harrison Ford tem poucos – mas bons – momentos e Mel Gibson faz um vilão mais ameaçador e completo do que o Vilain, interpretado por Van Damme.

Ainda que o público consiga rir bastante e os atores façam um bom trabalho, isso não é mais o bastante para sustentar o filme. Boa parte do longa é muito arrastada e chata, fazendo com que as 2 horas de duração demorem a passar. As reviravoltas são rasas e tudo o que acontece entre a ação e a comédia soa artificial e fraco. Vou ter que concordar com quer disser que isso também ocorre nos filmes anteriores, mas eu acho que esses problemas estão ficando cada vez mais evidentes. Algo tem que mudar para que a franquia continue. Algo realmente novo, que possa ser equiparado com uma reunião de astros dos anos 80 que tornou o primeiro filme algo diferente.

O elenco é muito foda e o filme é divertido, mas o desgaste evidente atrapalha bastante. Juntando isso com o vazamento do filme antes da estréia, Os Mercenários 3 teve uma arrecadação bem fraca nos EUA, logo não se pode garantir a continuidade. Mas eu ainda posso recomendar o filme, que cumpre o que promete e pode ser visto nos cinemas sem problemas.

OBS 1: Dá pra perceber como a criatividade está no fim, quando os roteiristas inventam uma relação homossexual entre Arnold Schwarzenegger e Jet Li. Não sou contra o relacionamento, mas ele não muda nada na história e não se desenvolve. Se fosse bem escrito, poderia ser algo sensacionalmente engraçado.