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Filmes

Crítica: Os Incríveis 2

Aquela pitada de nostalgia com mais de 15 poderes diferentes

30 de junho de 2018 - 15:09 - felipehoffmann

Quando o primeiro filme de Os Incríveis chegou nas telonas em 2004, o cinema ainda não havia saturado com tantas produções envolvendo super-heróis. Dona Marvel foi se salvar da falência apenas quatro anos depois quando lançara Homem de Ferro e a Senhora DC, também em 2008, chocaria o mundo com Cavaleiro das Trevas.

Na época, Os Incríveis foi muito bem recebido e conseguiu, como poucos, envelhecer de forma sadia. Mesmo após tanto tempo, o filme permanece fresco na memória.

Grande parte disso se dá pelas características dos heróis. Cada qual representado de forma semelhante à uma família tradicional(tsc), com poderes característicos.

 

 

Sr Incrível é o homem forte, soberano, resiliente e capaz de superar tudo com o poder do próprio braço. Mulher Elástico tem em sua própria elasticidade a função de comandar uma casa com irmãos bem distintos, aliando às tarefas do dia a dia. Violeta quer se esconder em sua invisibilidade, fugindo dos medos da adolescência. Flash tem na velocidade a representação da hiperatividade das crianças e Zezé… bom, Zezé ainda é um neném descobrindo seus poderes.

Quatorze anos depois e uma infinidade de filmes de super heróis na prateleira, Os Incríveis voltaram exatamente do ponto em que nos deixaram lá em 2004. Só que dessa vez muito mais cientes de onde estariam pisando e maduros para uma continuação à altura do que se tornaram.

 

 

Sem precisar apresentar nenhum personagem principal, a história de Os Incríveis 2 segue um modelo simples, mas eficiente. Usar o governo como se fosse aquele cara malvadão que não deixa ninguém ser feliz. Pegar o estereótipo de um empresário nostálgico, com bala na agulha para estar acima da lei e, no meio disso tudo, entregar uma família cheia de dúvidas e problemas como qualquer outra no mundo.

O grande problema do longa, e aí a gente pega a maioria das produções de super heróis, é saber trabalhar bem um vilão capaz de carregar boa parte do filme. Caímos na mesma máxima de um personagem genérico, sem motivações aceitáveis ou, pelo menos, bem trabalhadas.

 

 

O Síndrome, por exemplo, era totalmente o oposto disso. Entendíamos porque o garoto era traumatizado e como havia canalizado aquilo para o mal.

O Hipnotizador não passa esse entendimento, tão pouco um carisma, o que pode deixar os Os Incríveis um pouco aquém do que esperávamos. Mas em contrapartida a união dos heróis é ainda mais necessária para salvar o mundo e isso encaixa muito bem na proposta que o filme deseja passar.

Os Incríveis 2 é leve e divertido na medida certa. Alegre e com astral lá em cima, consegue ser um ponto fora da curva no que é usual nos filmes da Pixar. Aliás, o curta antes do filme começar pode ser mais emotivo que o próprio longa em si.

No fim das contas, Os Incríveis 2 volta em grande estilo, respeitando nossa nostalgia e atingindo novos públicos. Claro que fica um gostinho de que poderia ter sido um pouco melhor, mas isso não estraga a experiência incrível de ver a Família Pêra novamente. E essa sensação meu amigo, ninguém tira da gente.