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Filmes

Crítica: Os Estranhos 2 – Caçada Noturna

Tensão recheada de repetição

6 de junho de 2018 - 18:42 - Tiago Soares

Uma continuação de um ótimo filme é sempre esperada, as vezes a de um bom filme também. No caso dos filmes de terror, uma continuação independe de sua qualidade e muitas vezes nem era necessária. É o caso de Os Estranhos, um bom filme de suspense e terror, que consiste em um casal que tem sua casa invadida por estranhos (obviamente), que começam a fazer jogos psicóticos, até matá-los.

O plot principal se segue nessa segunda parte. A nova família agora formada por Cindy (Christina Hendricks), Mike (Martin Henderson), Mike (Lewis Pullman) e Kinsey (Bailee Madison), traz mais profundidade e contornos dramáticos, fazendo com que nos importemos mais com essas “novas vítimas”. Kinsey é a clássica adolescente rebelde, que fez uma m*erda muito grande e será mandada pra um internato.

A família resolve passar um fim de semana em um uma espécie de chalé, mas ao chegar lá vê que tudo parece abandonado. Os Estranhos já estão agindo e observando, auxiliados por uma câmera oculta e quase documental de Johannes Roberts (Medo Profundo). O diretor sabe como criar tensão e apreensão, ao trazer-nos diretamente pra dentro da narrativa.

Roberts também acerta nos personagens, que apesar do excesso de drama, entreguem bem o que lhes é proposto. Nenhum deles tem o mesmo carisma que Liv Tyler tinha no primeiro filme e nem a direção de Bryan Bertino que volta apenas como roteirista. Bryan conseguiu brincar com nossa imaginação, ao mesmo tempo em que fez um filme enxuto, com poucos personagens e apenas um cenário.

Nessa continuação tudo se expande e vira mais uma “caçada” – como o subtítulo sugere – um jogo de rato e rato aonde os assassinos tentam encurralar suas vítimas e também sofrem as consequências disso, além de não serem mais tão “estranhos” como no longa anterior. Agora eles tiram suas máscaras, falam e possuem objetivos claros, erroneamente o mistério de perdeu.

Apesar disso o longa consegue criar um bom ritmo, auxiliado pela boa iluminação, ou ausência dela e uma trilha fantástica, particularmente em duas cenas que utilizam clássicos dos anos 80. A cena da piscina, ao som de ‘Total Eclipse Of The Heart’ de Bonnie Tyler já uma das melhores que vi recentemente  e a cena do carro em chamas ao som de ‘Making Love Out Of Nothing At All’ do Air Supply aquece o coração.

A repetição de situações – seja no próprio filme – ou com cenas que parecem iguais e de outros – o lance de apenas um policial ir ajudar e o vilão imortal, prejudicam o terror, pois mostra a falta de originalidade e torna o filme menos inventivo. Mesmo assim, Os Estranhos 2 ainda vale a conferida, devida a grande falta de filmes de terror – principalmente o slasher – que sejam no mínimo aceitáveis e assistíveis.