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Concorrente ao Oscar, essa é a nova animação da Laika Entertainment, uma produtora nova e que já especializou em animações stop-motion. A história complexa – e até sombria – casa muito bem o visual da história e esse pode ser o filme da Laika que finalmente vai ser um sucesso de público.

O filme segue a história dos Boxtrolls do título, que são pequenos monstros que vivem no esgotam e se vestem com caixas encontradas na rua. Entre eles, também vive um garoto humano que não conhece sua origem e não se acha nem um pouco diferente de seus companheiros. No meio dessa confusão toda, ainda está Snatcher, um exterminador que vai fazer de tudo para acabar com os Boxtrolls e ganhar seu fabuloso chapéu branco.

Eu achei realmente difícil explicar a história desse filme, porque o roteiro tem muitas nuances e engrenagens que fazem dessa uma das história mais ricas e complexas que já vi em uma animação. Tendo como base uma história chamada “A Gente é Monstro”, de Alan Snow, o primeiro aspecto diferente do filme é que ele é uma inesperada e interessante alegoria social, onde pais só querem saber de queijo e tudo o que importa é ser da alta classe da cidade de Pontequeijo. O mais curioso é que esse filme tem a responsabilidade de deixar o seu estúdio mais próximo da classe A das animações, ou seja, a alegoria social pode ser mais vívida do que o imaginado.

A história também não se desenvolve de maneira tão óbvia. Não é nada que possa embolar a mente das crianças – logicamente, já que elas ainda são o público-alvo – mas é interessante quando uma animação consegue, pelo menos, enganar sua percepção. Não é um roteiro mirabolante que culmina em uma grande reviravolta, como em Uma Aventura Lego, no entanto o roteiro consegue fazer suas criticas sociais e desenvolver a história de maneira interessante em torno disso.

Os personagens também são um espetáculo a parte, porque eles conseguem misturar a simplicidade e o carisma esperado de personagens infantis com a complexidade da sociedade alegórica criada no filme. Temos os monstrinhos (que falam durante toda a projeção em sua língua própria) ingênuos e divertidos, os garotos aventureiros que querem mudar a cabeça das pessoas, temos os interessantes capangas duvidosos do vilão, aqueles adultos que só pensam em poder e o grande vilão que só quer realizar seu sonho. Está tudo ali da maneira correta, bem construída e idealizada.

O roteiro também tem seus momentos mais calmos onde jogam com aspectos seguros dentro de animações para não afastar os menores, mas acredito que eles pensaram muito mais nos adultos quando fizeram esse filme e são esses que vão se entender mais com tudo o que está acontecendo. Inclusive, usando um humor sutil e tipicamente inglês, o filme não tem tantas piadas que agradem as crianças e nem se preocupa com julgamentos moralistas.

Mesmo com o clima sombrio e poeirento, o que sobra para esses são o belo visual, as boas cenas de ação e as lições de vida. E isso não vai decepcionar, porque também é um belo acerto do filme. O visual, então, combina perfeitamente com o clima da história, ajudando na sua beleza e dinamicidade.

A direção de Anthony Stacchi e Graham Annable é boa, acertando consideravelmente na junção visual, trabalhando muito bem com as cenas movimentadas do filme e bolando ótimas gags visuais, entretanto eles dão umas escorregadas no equilíbrio dessas cenas. O roteiro consegue balancear muito bem o infantil e o adulto, os momentos mais lentos e os mais rápidos, mas eu senti que a direção erra a mão um pouquinho aqui e faz com que alguns momentos do filme fiquem meio arrastados.

Ainda bem que esse é o único problema do filme, já que todo o resto funciona perfeitamente. Inclusive a recheada dublagem original, que é abrilhantada por um elenco de luxo da classe A do cinema. O personagem mais interessante (tanto no desenvolvimento e no visual, quanto no tabalho de voz) é o vilão Snatcher, interpretado por Ben Kingsley. Junto com ele, seus lacaios ganham um destaque inesperado, usando a voz de Nick Frost, Richard Ayoade e Tracy Morgan.

Ainda temos o novato Isaac Hempstead Wright, como o jovem protagonista, Elle Fanning, Simon Pegg, Jared Harris e Toni Colette em papéis menos destacados pela dublagem, mas com grande valor para a trama. Quem também merece elogios permanentes são os vários dubladores dos troll, que inventaram uma língua impossível de ser traduzida, que mistura fonemas eslovenos e sons de animais. E ainda é muito interessante como eles conseguem transmitir emoções com esses sons loucos.

Um filme que parecia ser simples e bobo no trailer, mas me surpreendeu com sua complexidade e ótimas criticas sociais. Mesmo correndo o risco de agradar mais os pais do que os filhos, a Laika criou uma animação simplória e voltada para o lado artístico, que merece ser assistido com prazer.

OBS 1: Não saia antes do final, porque o pós-créditos tem uma bela homenagem aos artistas que contribuíram com o filme.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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