AODISSEIA
Filmes

Crítica: Operação Overlord – Perdido entre um filme de guerra e um filme de zumbis

Produção traz certo deleite aos olhos, mas não sabe que caminho seguir.

8 de novembro de 2018 - 00:14 - Tiago Soares

Quando foi anunciado, Operação Overlord trouxe grande expectativa por ser um produto da Bad Robot, produtora de J.J Abrams e todos esperavam que fosse um novo filme do Universo Cloverfield, algo desmentido pela produção logo em seguida. Mesmo assim filmes de zumbis não estão mais na crista da onda e ver que algo está sendo produzido com um nome tão forte da indústria por trás das câmeras, gera certa empolgação — e é uma pena que Operação Overlord não a supre por completo.

Trazendo um cenário de guerra (já que o filme se passa numa madrugada antes do Dia D), era esperado que o filme fosse caminhar entre duas vertentes: a guerra em si e o terror. Com soldados paraquedistas tendo a missão de invadir o território francês e derrubar uma torre, é fácil começar no meio da ação, justamente aonde o filme mais se destaca. Mas, com apenas cenas de ação vagas — o filme acaba se tornando em partes — um videoclipe.

Não há qualquer empatia pelos soldados vividos por Jovan Adepo (The Leftovers) e Wyatt Russell (Black Mirror). Todas as linhas narrativas básicas dos filmes de guerra estão presentes. O soldado que não foi pra guerra, o durão, o chato que não pára de fazer piadas (John Magaro num papel irritante), a moça estrangeira corajosa e doce (Mathilde Ollivier) e um vilão nazista e unidimensional (Pilou Asbæk, o Euron de Game Of Thrones).

Apesar do início tenso e bastante promissor, o filme se perde várias vezes em sua proposta, demorando a apresentar o plot principal — que pode ser confundido diversas vezes com desenvolvimento, o que acaba não acontecendo — já que a vida dos personagens é desinteressante demais para ser ouvida. Com personagens confusos em suas motivações, a produção sofre constantes problemas de ritmo, e não sabemos se acompanhamos um filme de guerra ou um filme de zumbis — sendo respectivamente o primeiro, aquele que foi melhor representado — pelo menos até o ato final.

Felizmente parte da confusão acaba não afetando as boas atuações. O destaque fica a cargo do protagonista Boyce (Adepo), mesmo recheada de atitudes e decisões pra lá de ridículas. A ação já mencionada e direção de Julius Avery (que tinha feito apenas um longa antes desse), deve ser respeitada, pois é nítido que ele conseguiu fazer muito com pouco. Estamos diante de um filme barato que não deve em nada para filmes de guerra de grande orçamento e a presença do gore na parte “zumbi” o deixa com cara de filme B e trash da melhor qualidade.

Mesmo perdido, Operação Overlord encontra seu caminho mostrando o que há de mais violento não apenas nos horrores da guerra, mas no ser humano — gastando litros e mais litros de sangue falso. Uma pena que assim como o sangue, o filme não é suficientemente sólido.


Obs: Pelo pequeno plano-sequência no final, o filme ganhou mais um ponto.