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Dentro de uma nova proposta de animações, a Disney começou a pensar seus filmes de maneira diferente. Os filmes de princesa não são só para meninas e assim surgiram os bons Enrolados e Frozen. Mas ao mesmo tempo, os meninos também merecem seus filmes característicos – que não ignoram o público feminino – e daí nascem Bolt e Detona Ralph. Tudo isso sem decepcionar os adultos que, geralmente, acompanham seus filhos. Eis que dessa vez, o estúdio chegou a conclusão que nada seria melhor, para agradar todos esses públicos, do que misturar suas animações com o poder dos heróis da Marvel. E a junção é certeira.

Operação Big Hero funciona como um filme de origem para o grupo de heróis que foram criados para o público asiático da Marvel. Hiro é um gênio da tecnologia, que usa suas habilidades para vencer lutas ilegais entre robôs. Depois de se meter em mais uma encrenca, ele é convencido pelo irmão a se matricular na faculdade onde ele trabalha. E é nesse local que, em meio a muitas adversidades, o grupo será formado.

O roteiro do filme não tenta fugir do básico, mas também não erra e consegue se desenvolver bem. A animação tem alguns momentos corajosos, mas não se incomoda em manter o pé no chão. Na verdade, todo o desenvolvimento é bem óbvio, entretanto como o filme não depende desse aspecto para funcionar isso pode passar batido.

A aposta do filme é misturar tudo o que a Disney e Marvel tem de melhor e aqui ele acerta em cheio, porque tudo ali é muito bem balanceado entre o emocional, o cômico e a ação. Isso é algo que ambos estúdios fazem muito bem e os últimos filmes são ótimos exemplos disso. Inclusive, Big Hero é um grupo tão desconhecido quanto Guardiões da Galáxia, a última aposta da Marvel.

Como em todos os filmes de origem da Marvel, a primeira metade do filme é mais lenta, usando cada minuto para apresentar esse universo totalmente novo (nada indica que teremos uma junção com o que a Marvel vem fazendo) e seus habitantes. E esse é outro grande acerto do longa, já que seus personagens são muito bons. Os holofotes estão todos em Hiro e Baymax, mas ainda assim os outros membros são apresentados com suas características peculiares e participações pontuais. Infelizmente, eles são deixados um pouco de lado aqui, mas podem ter um melhor desenvolvimento nas possíveis continuações.

Mas como disse, o foco é de Hiro e seu companheiro, que são os criadores do grupo. O primeiro consegue prender a atenção do espectador desde sua primeira cena, mas precisa do filme todo para crescer emocionalmente e mostrar que é mais do um nerd. Baymax é uma criação do irmão Hiro com o objetivo de ser um paramédico pessoal bem fofinho e acolhedor. Para poder usá-lo em campo, Hiro faz atualizações bem interessantes na sua programação e torna o robô ainda mais divertido.

Talvez Baymax conquiste ainda mais o público por ser uma mistura de vários personagens. Ele tem um pouco da doçura e ingenuidade do Ursinho Pooh, não entende as expressões do cotidiano como o Drax, seus testes de voo parecem muito com os do Homem de Ferro e todo o seu desenvolvimento parece muito com o que acontece com o Groot em Guardiões da Galáxia. Realmente, se você já viu Guardiões vai ver muito do filme no humor e no desenvolvimento de Baymax e do restante do grupo.

A segunda metade começa a abrir espaço para as cenas de ação mais elaboradas, depois que a amizade já está selada no grupo. A ação é boa, sendo entrecortada por bons momentos emocionais, entretanto não é nada tão inventivo. Por mais que o filme acerte em usar o básico, ele perde ponto quando não cria coisas tão elaboradas nem nas suas cenas de ação, principalmente o climax. Claro que temos ali os conceitos tecnológicos dos portais e dos microbôs, que criam boas novidades visuais, mas nada que faça a roda girar ao contrário.

Mesmo que os diretores não inovem na ação, o visual da animação é fantástico. As roupas, as apresentações tecnológicas, as texturas e a mistura das cidades de San Francisco e Tóquio conseguem dar novas camadas e mais beleza para a história. Tudo ali funciona muito bem e atinge o objetivo de prender a atenção de quem assiste.

O filme funciona, diverte e emociona, mas tem alguns probleminhas pequenos que o impedem de se equiparar aos brilhantes Como Treinar seu Dragão 2 e Uma Aventura LEGO. A obviedade contínua e as falhas de desenvolvimento do terceiro ato incomodam um pouquinho, só que ainda assim é um filme interessante, que mistura muito bem Marvel e Disney. Um bom começo para essa parceria, que por mim dura muito tempo.

OBS 1: O 3D é válido.

OBS 2: Fred é único membro do grupo que tem um pouco mais de importância, principalmente como alívio cômico. E é em torno dele que gira a ótima – e já revelada – participação de Stan Lee na cena pós-créditos. Não saia da sala.

OBS 3: Melhor do que o filme é o brilhante curta exibido antes dele. Intitulado “O Banquete”, o filmete usa traços diferenciados e um ótimo 3D para contar a história de um amor pela visão de um cachorro comilão. Não dá pra explicar muito sem entregar, mas é certo que o curta ficou muito bonito e divertido.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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