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Pra começar é importante ressaltar que não estamos diante de O Sono da Morte, um filme de terror, ou pelo menos, apenas de terror. Vendido como um terror e com uma figura em ascensão na vitrine, o pequeno e fofo Jacob Tremblay, o filme foi esperto em ser lançado após o sucesso de O Quarto de Jack, apesar de ter sido gravado antes e ser o primeiro filme de Jacob, a visibilidade do filme indicado ao Oscar, alavancou a carreira do garoto e ajudou a produção.

Logo após perder o filho pequeno, o casal Jessie e Mark aceita adotar Cody (Tremblay), um garoto da mesma idade. O filho adotivo se adapta bem à nova família, mas ele tem um problema: os seus sonhos se tornam realidade, e os pesadelos, especialmente, podem ser mortais.

Temos aqui um primeiro ato bem dramático, com o casal sofrendo a perda do filho, principalmente Jessie (Kate Bosworth) que tem, em alguns conceitos apresentados em sua terapia, coisas bem interessantes sobre o subconsciente, méritos do roteiro de Mike Flanagan, que também dirige o longa. O mesmo já tinha apresentado alguns desses conceitos em Hush – A Morte Ouve.

A beleza dos sonhos de Cody, é mostrada como algo inocente de início, ver que a criança realmente é uma esponja que absorve tudo, é bem plausível. O meio de Cody, modifica o que ele sonha, cada experiência e ensinamento diário é aplicado ao seu subconsciente, o que trás perigos com o decorrer do tempo. Não há explicação aqui, não sabemos como Cody adquiriu esse dom. O diretor deixa pistas da história de Cody, que nos é revelada posteriormente, mas estamos no escuro em relação ao porque daquilo acontecer.

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Jacob vai bem, e já se mostrou um excelente ator. Transmite muito bem através do olhar e de seus diálogos que já passou por muitas coisas até chegar ali.  Kate como mãe amargurada, sofre toda a carga dramática da perda precoce do filho, o pequeno Sean, e está presa ao passado junto ao marido Mark (Thomas Jane).

É uma pena que o filme se perca um pouco nos dois atos seguintes. Após Cody sofrer seus pesadelos, temos um filme mais investigativo, com Jessie e Mark investigando o passado do garoto e descobrindo histórias sinistras. Para logo em seguida um terror ser aplicado de forma mais visual. A resolução da história podia ser bem menos fantasiosa e com uma explicação bem mais elaborada.

O que se vê é uma mudança de gênero abrupta, do que poderia ser um bom filme dramático, com elementos de suspense, mas acaba pecando pelo exagero.

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O Sono da Morte

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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