AODISSEIA
Filmes

Crítica: O Predador — Um filme dos anos 80 em 2018

Insano e sangrento.

14 de setembro de 2018 - 14:32 - Tiago Soares

Eu particularmente nunca entendi o viés aterrorizante dado a franquia Predador. Apesar do primeiro filme pegar características de slasher movies (o vilão imparável, o mistério, a caçada) — além do visual amedrontador do bicho — nos esquecemos que o maior astro dos filmes de ação da época, Arnold Schwarzenegger foi escalado como o Major Dutch, mostrando que o filme flertava com o outro gênero.

Após continuações bem abaixo do que uma figura tão icônica como o alienígena podia trazer, Shane Black foi chamado para “arrumar” a casa. Tão conhecido por seu Máquina Mortífera, e mais recentemente com o ótimo Dois Caras Legais, nada melhor do que trazer uma figura dos anos 80, para contar a história de uma criatura criada nessa década.

Após uma batalha espacial, a nave de um predador vem a Terra. O monstro é abatido por  Quinn McKenna (Boyd Holbrook), atirador de elite e estava em missão no local. Sendo capturado por militares, ele e o Predador se vêem ligados, já que Quiin pegou o capacete e a manopla da criatura e pretende fazer de tudo para proteger o filho Rory (Jacob Tremblay) que está com os artefatos alienígenas.

Shane realiza um filme perturbado (no bom sentido claro). Estamos diante de um filme dos anos 80 em 2018. Piadas politicamente incorretas (vindas principalmente dos personagens de Keegan-Michael Key e Thomas Jane) — aliás —  não há diretor melhor para trabalhar interações entre grupos e principalmente duplas. O bando de desajustados se completa e apesar de uns terem mais importância que outros, a ligação e química é quase sensorial.

A trama não pode ser das mais cabeçudas, mas ninguém disse que esse era o objetivo de Shane Black ao dar um novo ar a franquia. Temos aqui o melhor filme desde o original (coincidentemente ambos tem a mesma duração). Shane não economiza nas cenas gore, aonde braços e cabeças são decepados e pessoas assassinadas com tranquilizantes. Tudo está dentro da proposta.

Boyd Holbrook talvez peque em querer emular demais um badass nível Schwarzenegger, do qual nunca será e nem porte tem para isso. A Drª Casey de Olivia Munn (X-Men Apocalypse) está na dose certa e numa atuação melhor do que sua personagem exige. Trevante Rhodes (Moonlight) é com todo respeito o “negão” da equipe, por vezes estereotipado e com uma pegada Carl Weathers do original. Sterling K. Brown (This is Us) é o vilão corporativo, um clichê dos anos 80 e Jacob Tremblay mostra todo seu talento em um personagem singelo e sensível.

O único incômodo da produção é o CGI usada na criatura maior (já presente no trailer) e em espécies de Demodogs (Stranger Things feelings), principalmente em contato com os humanos. Problemas de proporção afetam diretamente a imersão, por isso na maioria das vezes tais cenas aparecem ao longe ou desfocadas.

O Predador é um filme fora de sua época, mas vai pegar os fãs dos filmes galhofa dos anos 80 pelo coração. É divertido, bem dirigido, repleto de sangue — um cinemão pipoca raiz — com uma figura que foi desgastada em crossovers e filmes bobos. Shane Black revitaliza o personagem com tudo que deu certo ao longo dos anos e mostra que está em sua melhor forma.