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Quem tem um irmão mais novo sabe que a chegada de um novo bebê muda completamente a rotina da casa. Eles “roubam” um pouquinho da atenção da família, recebem cuidados quase obsessivos e infernizam as noites como poucos seres conseguem fazer, porém o tempo os transforma em puxas-saco, pontos de apoio para momentos difíceis a até uma boa companhia para o cinema. Às vezes o filme escolhido pode dar um pouquinho de vergonha alheia, mas fazer o quê: nós sempre vamos fazer tudo por essas criaturinhas que já mandam na casa desde pequeninos.

O Poderoso Chefinho não se enquadra nessa categoria, porém é mais um exemplar protagonizado por crianças logo depois de Cegonhas. A animação acompanha Tim, um filho único criado com muitos abraços, histórias para dormir, uma música composta só pra ele (no caso, Blackbird) e toda a atenção dos pais. Tudo vira de cabeça pra baixo quando um irmãozinho chega para abalar as estruturas emocionais da casa e salvar a Baby Corp. da falência.

Baseado em livro infantil escrito por Marla Frazee, o roteiro de Michael McCullers (As Aventuras de Peabody & Sherman) se desenvolve de forma extremamente linear, clichê e similar ao já citado Cegonhas em vários aspectos, principalmente quando se trata da reinvenção do clássico “de onde vem os bebês?”. Tudo gira em torno de um bromance (literalmente) básico, pontos de virada facilmente reconhecíveis do próprio gênero e uma lição de moral que já fica clara desde os primeiros minutos, porém o texto e a direção de Tom McGrath (Madagascar) acertam em cheio no tom de comédia, que tem potencial para agradar todas as idades.

As crianças mais novas vão se identificar com os personagens instantaneamente, ficar vidrados nas cenas de ação supercoloridas e pirar naquele 3D que arremessa coisas na sua cara todo minuto. Enquanto isso, os adultos devem se conectar o suficiente com uma história universal e ficar esperando pelas piadas de referências que englobam grandes sucessos do cinema, como Matrix, Indiana Jones, Mary Poppins e Senhor dos Anéis. Isso sem contar a ótima sacada com Jesus que, infelizmente, já estava nos trailers.

Dentro disso, O Poderoso Chefinho usa a mistura entre vários estilos de animação (e até literatura pop-up em certo momento) para apresentar a imaginação do protagonista e, principalmente, confrontar a realidade propriamente dita, o mundo criado na cabeça das crianças e a forma como os pais enxergam esse momento da vida. O choque entre essas três visões de mundo está presente no centro do filme e gera uma quantidade incontável de ótimas piadas visuais.

A dublagem também funciona relativamente bem substituindo os ótimos Alec Baldwin (Os Infiltrados), Steve Buscemi (Monstros S.A.), Jimmy Kimmel (Ted 2), Lisa Kudrow (A Garota no Trem) e Tobey Maguire (Homem-Aranha 2). Pelo que eu assisti nos trailers originais, o humor improvisado e politicamente incorreto de Baldwin pode ter sido um pouquinho prejudicado, mas não chega a estragar a experiência do cinema. Talvez seja a mesma vibe de assistir Aladdin em português e depois descobrir uma versão irretocável dublada por Robin Williams.

No mais, o importante é que tudo conduz para um final bonitinho e divertido, que deve, acima de tudo, encantar a maior parte do público. É visualmente impressionante, cutuca as feridas com boas críticas ao mundo empresarial, arranca boas risadas e ainda passa uma mensagem muito valiosa para crianças que acabaram de ganhar um irmãozinho. Na verdade, qualquer pessoa que conviva com irmãos pequenos e atentados (eu!) vai se identificar e relembrar o quão fácil é amar essas criaturinhas. Resumindo tudo em uma frase: O Poderoso Chefinho cumpre sua proposta com muito carisma, humor ácido e amor.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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