AODISSEIA
Filmes

Crítica: O Pequeno Príncipe


14 de setembro de 2015 - 14:00 - Flávio Pizzol

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Amor, amizade, compreensão, perseverança, inocência, simplicidade, ganância, vaidade, preguiça, materialismo, pureza, perda, respeito, responsabilidade e imaginação. Esses são alguns dos valores importantes (bons e ruins) que estão espalhados pelas 90 páginas, escritas por Antoine de Saint-Exupéry, do Pequeno Príncipe. Um livro rápido que tem a capacidade de marcar e ensinar as pessoas de todas as idades através do retrato mais perfeito e singelo da vida e do mundo que nos cerca.

O filme, nova adaptação de uma das histórias mais conhecidas e importantes da cultura mundial, conta – logicamente – a história do Pequeno Príncipe que vivia em um mundo um pouco maior do que ele com sua rosa até que resolve viajar o mundo e acaba parando na Terra onde conhece o narrador. Entretanto, isso não é um terço da profundidade do livro e para conseguir adaptá-lo foi necessário lidar com a sua divisão em pequenas fábulas e sua grande quantidade de metáforas que seriam inadaptáveis em um formato puramente tradicional.

A solução encontrada aqui é dividir o longa em três partes que vão se unido aos poucos no decorrer dos 106 minutos de filme. A primeira delas é uma criação original que serve para dar a dimensão de quem tem contato com aquele universo pela primeira vez, enquanto segue uma menina criada através de um plano de vida completamente metódico e sem espaço para nenhum respiro. Para atingir os objetivos buscados por sua mãe, ela acaba se mudando para uma vizinhança cinzenta que só ganha cor por causa da presença constante de um aviador idoso.

Ele é a conexão para a segunda parte, que o diretor Mark Osborne (Kung Fu Panda) – acertadamente – decide contar através de uma animação stop-motion cheia de texturas perfeitamente construídas (e melhoradas pelo ótimo 3D) com papel, pelagem e outros materiais reais que não costumam ser usados em longas desse estilo. Esse é o momento reservado para contar a história do próprio príncipe, que conta com um texto impecavelmente retirado do livro enquanto entrecorta a parte original com transições bem criativas e funcionais.

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Tudo isso vai funcionando de forma interessante e bem cativante até chegar ao último ato. Essa terceira parte, que junta os dois universos, toma algumas liberdades criativas que podem ser facilmente criticadas, porque toda aquela enrolação desenvolvida em torno do Homem de Negócios (ou Rei do Crime…) não funciona tão bem perto do todo e ainda pode desagradar quem cresceu com o material original. Mesmo mantendo a qualidade visual e o teor das criticas construídas anteriormente, essa parte se perde no ritmo e no tom que vinha sendo pontuado calmamente desde o início.

Mas tudo isso ainda precisa de um bom apoio de voz e fico feliz em dizer que a versão brasileira da animação não me incomodou tanto quanto de costume, já que a dublagem funciona com todo mundo e se destaca bastante com Marcos Caruso e Larissa Manoela. Ainda assim, não posso dizer que não fiquei curioso para ver a versão original (que é francesa) e a americana, que possuem no elenco atores do porte de Vincent Cassel, Vincent Lindon, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Benicio Del Toro, James Franco, Paul Rudd, Paul Giamatti, Ricky Gervais, Albert Brooks, Mackenzie Foy e Jeff Bridges.

No fim das contas, O Pequeno Príncipe erra um pouco quando tenta ser original e se atrapalha algumas vezes com o ritmo descompassado do longa, mas é visualmente brilhante e consegue traduzir de maneira perfeita todas as metáforas e possibilidades de interpretação que compõe o material original. Não é a adaptação perfeita para uma história sem prazo de validade que já marcou tantas décadas e ainda continuará influenciando muita gente no futuro, mas ela funciona muito bem e sai vitoriosa na difícil missão de transportar para a telona aquele mundo onde o que vale é nunca esquecer a criança dentro de você.


 

OBS 1: Para minha surpresa, a raposa de pelúcia me cativou e se tornou um  dos melhores personagens do filme.


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