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O Paraíso Deve Ser Aqui é visualmente deslumbrante e satiriza a opressão do mundo com críticas sutis


Pra quem nunca viu um filme de Elia Suleiman, “O Paraíso Deve Ser Aqui” é um ótimo ponto de partida para apresentar o peculiar diretor. No representante palestino no Oscar 2020, o próprio Suleiman sai da Palestina para experimentar uma mudança de ares. Mas não importa para onde ele vá, seja Paris ou Nova York, parece que o país sempre o acompanha através das atitudes dos residentes ou das situações nonsenses com um certo sentido.

Estamos diante de um filme que pode parecer monótono, onde nada acontece, já que os poucos diálogos e a expressão do protagonista fazem dele um road movie performático. Cada cena é um wallpaper. É um sensível conto de um homem que tem um mundo de tragédia em suas mãos, mas que encontra momentos sublimes de alegria (como na cena do pássaro). O Paraíso Deve Ser Aqui é uma comédia contemplativa dirigido com uma dose de fantasia.

O paraíso deve ser aqui cena bonita

Talvez Suleiman canse um pouco pela repetição e no excessivo uso de metalinguagem, quando já tínhamos entendido sua proposta. Cada lugar que vai tem sua marca e seu jeito de ser. A sempre comentada má educação francesa, por exemplo, é abordada com muito bom humor. Já o militarismo americano choca pelo modo cru e natural abordado. A leveza fica por conta do rápido encontro com o amigo Gael García Bernal.

Melancólico, “O Paraíso Deve Ser Aqui” não fecha os olhos para o mundo e as críticas por vezes sutis. É basicamente uma cinebiografia de Elia Suleiman, disfarçada de sátira política sobre a Palestina e uma certa violência silenciosa. O paraíso pode não ser a sua casa, mas ele não é muito diferente do resto do mundo.

*Filme visto na 43ª Mostra de São Paulo

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O Paraíso Deve Ser Aqui

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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