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Pegue um caldeirão. Misture um livro louco, Daniel Radcliffe, alguns elementos de terror, religião e humor negro. Bata tudo no liquidificador e recheie com uma boa trilha sonora. Finalize com uma péssima tradução de título. O resultado é uma grande insanidade que só me fez pensar em uma coisa: Que porra é essa?

Baseado no livro de Joe Hill (filho do genial Stephen King), O Pacto conta a história de Ig, um jovem que está sendo acusado de assassinar a única mulher que ele amou. Tudo dá uma guinada depois que começam a nascer chifres, que fazem ele ouvir os pensamentos mais íntimos de quem está a sua volta. Sem saber se isso é uma benção ou uma punição, Ig decide usar seus poderes para descobrir quem é o verdadeiro assassino.

É uma história bem interessante, mas que perde todo esse potencial e frescor com os altos e baixos do roteiro. O início funciona muito bem com toda a apresentação dos personagens e seu humor ácido. Mas o roteiro do quase estreante Keith Bunin se perde completamente com o tempo, sendo que tudo começa a soar artificial e óbvio demais. O desenvolvimento continua legal com os flashbacks e tudo mais, entretanto as ações, as relações entre os personagens e os diálogos simplesmente não funcionam.

Tudo só piora quando as coincidências tomam conta da história por pura preguiça de escrever. Um bom exemplo é quando Ig descobre que o advogado está com o crucifixo de Merrin, sendo que ele estava com uma camisa social e terno escondendo o pescoço. Esses acasos começam a fazer os acontecimentos parecerem deslocados e desconexos com todo o resto. No início achei que seria um problema de edição, mas acho que é só falha de roteiro mesmo.

Uma coisa que me interessou bastante foi a maneira como o filme consegue balancear bem o lado mítico/religioso com o mais real. De um lado temos os poderes de Ig e seus paralelos bíblicos, enquanto do outro temos as criticas à mídia, à repreensão sexual e até a própria religião. Tudo vai funcionando até que tudo perde as estribeiras e tanto o roteiro, quanto a direção focada e comedida de Alexandre Aja, erram feio na mão. A partir daí começam um show de curas, milagres e transformações superpoderosas que não tinham sido nem sugeridas anteriormente.

A tosqueira é bem-vinda em filmes de terror, desde que seja proposital e usada desde o início. A questão é que Aja faz um bom trabalho desde o início, usando bons planos e ângulos e construindo com cuidado a já citada linha tênue entre o mítico e o real, mas de uma pra outra perde todo esse ritmo em prol de cenas de ação para movimentar seu clímax. Simplesmente, eu não comprei a ideia e achei que perdeu tudo o que o filme vinha desenvolvendo. Eu ainda estou tentando entender como um filme cheio de bons efeitos, pode fazer uma explosão de cabeça tão escrota.

Outro problema da direção de Aja é a obviedade de alguns movimentos. Se o roteiro já tem esse problema, a direção deveria tentar deixar mais para o imaginário do público. Só que o diretor francês comete o erro de ir no caminho inverso e evidenciar de maneira enfática cada pista. O resultado é que o crime acaba sendo desvendado pelo público antes da metade da produção.

Pelo menos o elenco consegue salvar boa parte do filme. Daniel Radcliffe mostra que se desprendeu completamente do bruxinho inglês e cria um personagem complexo e bem interessante, principalmente em seus momentos bad ass. Sua principal parceira de cena é a ótima e bela Juno Temple, que vem chamando atenção em participações em grandes filmes, mas sem ter tido a oportunidade de tomar conta de uma produção.

O filme ainda tem os jovens Joe Anderson e Max Minghella tendo ótimos momentos, sendo que o auge estilístico do diretor é uma ótima cena de alucinação com o primeiro. Os veteranos David Morse, James Remar e Heather Graham também batem ponto e fecha o elenco, mesmo não tendo grandes momentos individuais.

Um filme que erra mais do que acerta e desperdiça uma história com grande potencial. Ainda assim tem bons momentos de terror e criticas que fazem o filme valer a pena junto com seu elenco. Não chega nem perto de ser marcante, mas nem por isso precisa ser completamente desprezado.

OBS 1: Ainda estou esperando o pacto do título acontecer…

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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