AODISSEIA
Filmes

O Óleo de Lorenzo é uma Viagem no Tempo

Um filme extremamente dramático e muito importante

2 de janeiro de 2014 - 12:56 - Flávio Pizzol

O Óleo de Lorenzo (1992) é um daqueles filmes que tem a capacidade de tocar qualquer pessoa. É impossível não torcer para que as pesquisas dos pais do menino sejam positivas e para que o mesmo sobreviva e se recupere, mesmo que isso seja muito difícil. Uma história emocionante que perdura através dos tempos.

Baseado em fatos reais, O Óleo de Lorenzo conta a história do próprio Lorenzo, um menino saudável e inteligente que é diagnosticado com uma doença degenerativa e incurável, chamada adrenoleucodistrofia (ALD). A partir daí, passamos a acompanhar a briga de seus pais em busca de uma cura, já que a medicina convencional não dava abertura para salvar o garoto.

O roteiro, escrito por George Miller e Nick Enright, consegue levar para as telas uma história complexa, emocionante e inspiradora. Não podemos negar que deve ter sido um grande desafio adaptar a história da família Odone, entretanto essa complexidade não está presente no filme, graças ao roteiro que simplifica a história.

 

 

Existe em O Óleo de Lorenzo uma leitura episódica da saga de Augusto, Michaela e Lorenzo, só ressaltando o mais importante da história, deixando algumas situações em camadas mais profundas do roteiro e um ar subentendido da situação. Um bom exemplo disso é a hora em que Michaela vai falar com uma jornalista e ela se recusa a escrever sobre a doença, a mãe fala que a mesma precisa conhecer seu filho. Na cena seguinte a reportagem já está no ar o resultados positivos estão sendo colhidos.

Outra coisa bem transmitida pelo roteiro é a briga entre a medicina convencional e os pais, que não são cientistas nem médicos. O filme mostra as visões dúbias e leigas mas coloca a medicina e ciência como vilões dentro desse contexto, visto que o interesse deles era diferente dos interesses dos pais de Lorenzo. Eles visavam um tratamento imediato para seus filhos, enquanto os médicos buscavam um estudo apropriado que trouxesse uma cura correta.

A direção de George Miller (Babe, Mad Max e Happy Feet) é extremamente segura. Miller sabe o que quer passar para o público e como isso deve ser absorvido, fazendo que algumas cenas peguem o público desprevenido e emocionem ainda mais uma história que já é intensa.

 

 

Outra coisa interessante de O Óleo de Lorenzo é a maneira como o diretor usa os closes. A câmera fechada em um personagem é um recurso usado para realçar as emoções expressas pelos atores, realçando as atuações e exigindo mais dos atores dentro da cena. Nesse ponto, Miller acerta em cheio e dirige o elenco de maneira sublime. Um filme como O Óleo de Lorenzo, para ser eficiente, necessita de um elenco convincente e que transmita as emoções para o público de maneira vigorosa.

E o casting é mais que sublime. Susan Sarandon está impecável no complexo papel da mãe de Lorenzo, Michaela. Uma mulher forte e apaixonada pelo seu filho, que insiste em não abandonar o garoto em hipótese alguma. Nick Nolte, o pai, tem um sotaque italiano carregado e mantém a complexidade do personagem tal qual Susan.

Outro ator que se destaca é o veterano (e já falecido) Peter Ustinov como o médico especialista na doença de Lorenzo. Ustinov fica dividido entre apoiar as ideias mirabolantes de Augusto e Michaela e/ou seguir os protocolos ditados pela medicina e ciência.

O Óleo de Lorenzo é um filme emocionante, que não perde sua força com o passar dos tempos. Um filme que transmite mensagens de amor, esperança e força de vontade. Se você quer uma coisa com muita vontade e amor e correr atrás da mesma com força e vigor, você tem grandes chances de atingir seus objetivos.

 


 

OBS 1: O Óleo de Lorenzo é utilizado até hoje para abordar inicialmente a doença, mesmo que sua utilização ainda não tenha sido comprovada pela ciência.

OBS 2: Lorenzo viveu até os 30 anos, desmistificando todas as pesquisas que indicavam uma morte precoce para os portadores de ALD.  Morreu em 2008, um dia após seu aniversário.

OBS 3: Michaela Odone faleceu em 2000, vitima de câncer, e Augusto Odone morreu, na Itália, no dia 25 de outubro de 2013 em decorrência de uma infecção pulmonar.