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“O Lugar onde Tudo Termina” é um daqueles filmes excelentes que não estreiam em todos os cinemas (nenhum cinema do Espírito Santo lançou o filme) por serem considerados pequenos ou diferentes. Não é o tipo de filme que atrai o grande público, já que faz o espectador sentir o filme, ou, no mínimo, pensar sobre o que aconteceu na telona. E isso não é o que o público tem procurado quando vai ao cinema.

O filme é dividido em 3 atos interconectados. O primeiro tem como base a história de um motoqueiro que vira ladrão para sustentar sua família. O segundo conta a história de um policial novato que tem que conviver com a corrupção dentro do seu departamento. E o terceiro fala de dois adolescentes que sofrem com escolhas feitas no passado. Acima de tudo, “O Lugar onde Tudo Termina” é um filme sobre ciclos e decisões e como essas decisões, mesmo sendo voltadas para o bem, podem influenciar a sua vida e de pessoas próximas.

O filme retrata a vida de seus protagonistas de uma maneira simples e real. E isso acontece graças a um roteiro redondo e sem pontas soltas, que aproxima o público dos personagens, por mais que estes sejam distorcidos. Essa é outra caracteristica importante no filme. O personagens são extremamente humanos. Todos tem qualidades e defeitos e isso é muito importante em uma história baseada nas consequências que vem junto com as decisões.

Ainda assim, o roteiro tem alguns problemas. O maior deles vem com divisão em atos proposta por Cianfrance. O terceiro e derradeiro ato é muito lento e não consegue ser tão intenso e surpreendente quanto os outros dois. O primeiro ato é muito mais rápido e interessante que os outros, como se Cianfrance tivesse separado o melhor para o ínicio sem se preocupar em manter o público interessado durante todo o filme. Isso deixa o final um pouco chato.

A direção de Derek Cianfrance é muito boa. Derek dirige com uma técnica primorosa e com a segurança de um veterano, sendo que esse é só seu segundo longa-metragem. A direção acaba sendo muito importante e ajuda a contar a história ao transmitir os sentimentos para a tela. Observem a cena em que Luke anda de moto na floresta e percebam como a direção movimentada transmite para o espectador toda a confusão que o personagem está sentindo.

O elenco, liderado por Ryan Gosling, é quase sensacional. Apenas alguns atores se destacam e por isso o elenco não pode ser considerado perfeito. Ryan Gosling é a força motriz do filme e rouba a cena sempre que aparece. Ryan é um ator brilhante, que tem uma de suas melhores atuações nesse filme. Bradley Cooper continua mostrando sua força em dramas (caminho iniciado em “O Lado Bom da Vida”) e cria um personagem complexo e cheio de nuances interessantes.

Eva Mendes também surpreende. Sua personagem foge do estereotipo de latina sexy e Mendes se mostra uma atriz capacitada ao criar um personagem dramático intenso e interessante. Outro destaque é o novato Dane DeHaan que consegue passar o drama do seu personagem de uma maneira convincente.

Por outro lado, alguns atores conhecidos, como Ray Liotta e Bruce Greenwood, se contentam em apresentar atuações muito básicas e sem nenhum destaque. Alguns novatos, como Emory Cohen, também apresentam atuações abaixo da média.

Um filme lento, dramático e poderoso, que faz o público pensar e sentir o filme. Em alguns momentos o filme fica chato, mas nem por isso o filme é ruim. “O Lugar onde Tudo Termina” possui mais pontos positivos que negativos e merece ser visto, principalmente por ter Ryan Gosling e Bradley Cooper em ótima fase.

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