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Assim que saíram os indicados ao Oscar 2016 e vi um filme da Jordânia sendo indicado, confesso que senti uma certa surpresa, primeiro porque esperava a indicação brasileira no ótimo “Que Horas Ela Volta?” e segundo porque não conhecia o cinema jordaniano.

Resolvi abandonar o preconceito e assistir O Lobo do Deserto (Theeb, no original), que conta a história justamente de Theeb (Jacir Eid), um garoto que vive  pelo deserto da Província de Hejaz, localizado no Império Otomano. O menino passa seus dias brincando com o irmão mais velho Hussein (Hussein Salameh). A vida dos viajantes muda com a chegada de um oficial do exército britânico e seu guia. Eles pedem o auxílio do grupo para localizarem um poço romano que encontra-se em um perigoso território de caça.

O diretor jordaniano Naji Abu Nowar, apesar de ter o deserto ao seu favor, prefere não utilizar tomadas extensas em seu filme, abusando apenas da trilha sonora precisa. Assim o primeiro ato do filme se torna um filme de viagem, com alguns desentendimentos entre os viajantes.

Desde o início, Jacir Eid entrega uma atuação excelente em seu primeiro filme. O pequeno ator se mostra curioso apenas com o olhar, observando o oficial do exercito britânico, sua língua, trejeitos e ambições.

Com uma mudança radical na trama, o talento de Jacir é evidenciado com mais força e o ator mostra um trabalho corporal incrível, com poucas falas e momentos emocionantes. Vemos uma criança em meio a violência, o mal encarnado. É mais ou menos aquilo que a Netflix fez no ótimo “Beasts of No Nation”, mas encarado de modo diferente aqui.

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A entrada do ator Hassan Mutlag, sem nome na história, traz um novo gás ao filme, mostrando mais sobre a fraternidade, dependência e da famosa frase “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Assim O Lobo no Deserto segue para o seu apogeu, tão citado nos diálogos e simplificado em apenas uma frase do filme: “O forte como o fraco”.

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O Lobo do Deserto

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Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

O Menino e o Mundo

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