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Um filme feito para incomodar e chocar, O Lobo de Wall Street vem acumulando muitas criticas negativas do público politicamento correto que se incomoda com as 3 horas de sexo, drogas, luxo e todo tipo de canalhice. Esse também é o tipo de público que não entende as motivações do filme e nem deveria assisti-lo. O próprio Scorcese avisou que esse não é um filme para todos.

O filme segue a vida do deturpado Jordan Belfort, que vive uma vive uma vida de excessos enquanto engana pessoas como corretor da bolsa de valores. O filme segue Jordan do início da sua carreira até a sua decadência em uma história regrada a sexo, drogas e dinheiro. Muito dinheiro.

Eu até entendo quem se incomodou com as canalhices que tomam conta de toda a projeção, por que o filme é baseado nos excessos. Esse excesso não poderia ser suavizado, porque a vida de Belfort era daquele jeito. A putaria precisava comer solta para representar Jordan e criticar o seu estilo de vida.

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Scorcese abriu a mente e se livrou de sua escala de valores para adaptar a história de Belfort. DiCaprio fez o mesmo. E o público também tem que estar pronto para se despir e mergulhar de cabeça na história. Essa é a única maneira de assistir O Lobo de Wall Street e aproveitar as longas – mas rápidas – 3 horas de duração do longa.

Martin abriu a mente ao ponto de representar uma orgia gay com a mesma naturalidade que qualquer cena de sexo do filme. Quebrou sua escala de valores ao fazer piada com o personagem de Jonah Hill se masturbando no meio de uma festa. Tudo o que o público tem que fazer é embarcar nessa festa da mesma maneira.

E não difícil embarcar no filme. O Lobo de Wall Street é insanamente engraçado, seja com o seu humor negro extremamente crítico e sarcástico ou com o seu tom escrachado. A cena onde Jordan dirige sob efeitos de muitas drogas e depois dá uma de Popeye – usando cocaína no lugar do espinafre – é muito engraçada.

Pra falar a verdade, todos os elementos presentes no filme já foram vistos em algum outro filme de Scorcese. O personagem deturpado e anti-heroico, o sexo, as drogas, o humor e tudo mais já esteve presente em algum momento da extensa carreira do cineasta. Não existem motivos para os fãs de Scorcese ficarem incomodados com o que é mostrado nesse filme.

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Outro ponto que vem gerando muita discussão é a construção do personagem principal. Muitas pessoas saem do cinema falando que o diretor valoriza tudo o que Jordan fez de errado, mas essas são as pessoas que não entendem a real motivação do filme. Todo o humor ácido presente no filme quer fazer o espectador perceber que aquele não é o caminho certo. Não consigo aceitar que alguém com mais de 18 anos – essa é a classificação indicativa do filme – possa achar que aquele é o caminho a ser seguido e queira ser igual a Jordan Belfort.

É verdade que o protagonista é apresentado como alguém bem sucedido e elegante, mas sempre que o filme mostra isso, as entrelinhas estão lá para mostrar exatamente o contrário. As atidudes de Jordan não são verdadeiramente glorificadas ou banalizadas.

Faço uma pergunta para quem acha que Jordan Belfort foi mal construido no filme e que suas ações não foram devidamente condenadas: O que ele suas respectivas ações têm de tão diferente em relação as de James Conway (Os Bons Companheiros) e Travis Bickle (Taxi Driver)?

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Ao lado de Scorcese, Terence Winter (roteirista de série Os Sopranos) usa tudo o que tem em mãos para adaptar a história de Jordan Belfort, sem esquecer de balancear as história. Por mais que 70% do filme seja focado em putaria, coisas erradas e comédia escrachada, o roteiro também sabe o momento de encaixar boas cenas de drama, como a cena em que Jordan tenta sequestrar sua filha.

Mas é um fato que O Lobo de Wall Street é um filme que vai ser amado ou odiado, não permitindo meios termos. O roteiro tem uma construção narrativa controversa que tenta aproximar o público do anti-herói através de uma narração in off que é responsável por ótimas piadas e da quebra da barreira entre o público e o personagem. Scorcese também ousa na direção e insiste em provocar repulsa com cenas chocantes e personagens instáveis.

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Falando em personagens instáveis, Jordan só funciona da maneira correta por que é interpretado por um insano Leonardo DiCaprio, que ,assim como Scorcese, raramente tem seu nome envolvido com filmes ruins. DiCaprio é esforçado, escolhe seus projetos com cuidado e tem aqui um dos melhores personagens da sua carreira. Jordan é um personagem complexo que DiCaprio domina de maneira brilhante. O ator, que provavelmente vai ser esnobado no Oscar (como sempre), transita com tranquilidade entre todos os nuances do protagonista. O resultado é uma atuação surtada, que talvez seja a melhor da carreira do ator.

Ainda temos outros ótimos atores no elenco estrelar do filme. Jonah Hill (indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante), Margot Robbie, Matthew McCounaghey, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jon Bernthal e Jean Dujardin são alguns dos nomes conhecidos que tem algum destaque no filme.

Jonah está sensacional como Donnie, um sujeito que abandona tudo para trabalhar com Jordan e depois é traído por este. Ele mija em intimações judiciais, come peixes vivos, se droga e até se masturba no meio de uma festa. Rob Reiner é outro que surpreende. O diretor de Conta Comigo, Louca Obsessão e Antes de Partir está hilário como o irritado Mad Max, pai de Jordan.

Matthew McCounaghey e Jean Dujardin aparecem pouco, mas se destacam pelas suas atuações propositalmente canastronas. O primeiro é uma espécie de guru de Jordan e tem um ótimo diálogo com DiCaprio, logo no início do filme. O último é um banqueiro suíço que esconde o dinheiro de Jordan.

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Outro grande destaque é a revelação Margot Robbie, que, além de ser bonita e gostosa, provou ser uma ótima atriz. Suas cenas com DiCaprio são ótimas, com destaque para as cenas do urso e a da separação, que culmina na tentativa de sequestro que já foi citada.

A parte técnica do filme também é brilhante, mesmo que siga o estilo canastrão imposto por Scorcese. A edição rápida da eterna colaboradora do diretor, Thelma Schoonmaker, é muito importante para o filme, por ajudar a trazer o público para dentro da movimentada história.

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Um filme surtado e canastrão que serve como um marco dentro de um cinema que busca seguir um padrão politicamente correto. Um filme divertido que tem a alma de Martin Scorcese, mas não é para ser visto por qualquer um. Eu até me surpreendi por uma obra tão insana como essa ter sido indicada para 5 Oscars, um prêmio que é, geralmente, voltado para o certinho. Uma obra prima da dupla Scorcese /DiCaprio.

OBS 1: Me desculpem se minha critica ficou um pouco confusa, mas é que eu me surpreendi com as criticas negativas sem fundamento que estavam fazendo sobre o filme e tive que comentá-las. O fato é que é um filme que depende do espectador. Eu embarquei na história, ri do incorreto, nem vi o tempo passar e amei o filme.

OBS 2: O verdadeiro Jordan Belfort faz uma participação no final do filme, como o apresentador da palestra em Auckland.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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6 Comments

  1. O filme é sensacional! Uma dica, assine a critica, eu sei que é o Flávio que deve fazer todas elas, mas mesmo assim, assine kkkk ;D

    1. Sou eu mesmo que faço as criticas (porque se depender do Daniel pra escrever kkk) e vou assinar a partir de agora. Valeu pela dica!!

      1. Calúnia. Escrevo sempre, vocês que não veem… kkk

  2. […] sem aparecerem tanto quanto o protagonista, Kyle Chandler (O Lobo de Wall Street) e Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn) também dão um show a parte. Ele tem a presença […]

  3. […] conheceu o trabalho de Martin Scorcese através da loucura de O Lobo de Wall Street (2013) pode não acreditar, mas o diretor cresceu as máfias e religiões que brotavam […]

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