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Crítica: O Hobbit – A Desolação de Smaug


14 de dezembro de 2013 - 01:49 - Flávio Pizzol

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Uma continuação melhor do que o primeiro filme que merece ser apreciada. Isso é “A Desolação de Smaug”. Tudo dentro desse filme funciona com perfeição, deixando os fãs com água na boca por uma conclusão digna de uma grande trilogia.

A história começa praticamente onde o primeiro filme acabou. Bilbo, Gandalf e os anões estão próximos da Floresta Negra, um dos últimos obstáculos antes da chegada à Montanha Solitária. A partir desse ponto, o filme segue basicamente a linha temporal do livro, culminando em um ótimo final dentro de Erebor.

O novo filme da saga trabalha com a uma certa inversão de valores em relação ao primeiro filme.Em contraste com uma primeira parte infantil e divertida, temos uma continuação mais sombria e a longa apresentação de história e personagens perde espaço para grandiosas cenas de ação e muita agilidade.

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Não posso dizer que me surpreendi com esse desenvolvimento, visto que ele é bem similar ao da trilogia “Senhor dos Anéis”. A ação e a grandeza da história vão aumentando com o passar do tempo, sendo que “A Sociedade do Anel”, assim como “Uma Jornada Inesperada”, é o filme mais lento e didático da franquia.

Não acho que o tom do primeiro filme seja errado (até porque o livro é extremamente infantil e divertido), mas gosto muito mais desse tom sombrio e de como Peter Jackson consegue trabalhar com ele. O uso de elementos dos anexos e de outros livros (como o “Contos Inacabados”) ajuda a criar essa atmosfera mais pesada por criarem uma conexão interessante com a saga de Frodo.

Essa conexão foi buscada por Tolkien e Peter Jackson continuou essa missão, inclusive criando conexões inexistentes nos livros. Essas conexões livres só funcionam porque Peter e suas co-roteiristas, Fran Walsh e Philippa Boyens, conhecem Tolkien como ninguém.

Esse conhecimento permite que os escritores tomem diversas liberdades dentro da história (e nem todas estão relacionadas à tentativa de conectar as histórias). Novos personagens e rumos diferentes dos escritos por Tolkien são mais constantes nessa segunda parte.

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Bard tem uma história de fundo bem construída e mais tempo de tela, assim como o mestre da Cidade dos Lagos. Azog, o orc apresentado na primeira parte, cresce em importância, principalmente no arco do Necromante. Legolas e Tauriel, elfos que não aparecem na história original, são adicionados e muito bem utilizados, principalmente em diversas cenas de ação muito bem coreografadas.

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E é interessante que mesmo que algumas histórias sejam adicionados e outras suprimidas, o roteiro não foge muito do livro, seguindo a linha temporal dos acontecimentos criados por Tolkien.

A direção de Peter Jackson também apresentou um grande amadurecimento em relação ao primeiro filme. O diretor parece estar mais à vontade com o desenvolvimento da história e com a tecnologia utilizada.

As cenas de ação são divertidas, velozes, muito bem planejadas e ainda utilizam tudo que a tecnologia oferece brilhantemente. Os movimentos de câmeras estão mais fluidos e favorecem o 3D, trazendo uma perspectiva diferente para as cenas.

A cena da fuga nos barris engloba tudo isso e acaba sendo umas das melhores cenas já feitas no cinema de fantasia. Temos elfos, orcs e anões descendo uma correnteza fortíssima enquanto lutam uns contra os outros.

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O 3D é sensacional e funciona de maneira perfeita e plena. Ou seja, o efeito não é usado só para dar sustos e arremessar objetos na plateia (mesmo que isso aconteça diversas vezes), mas também para dar profundidade para as cenas.

Como sempre Peter também se apoia em uma parte técnica mais do que impecável. Os efeitos especiais estão cada vez melhores, a fotografia mais escura funciona muito bem, a trilha sonora entra nos momentos certos e a direção de arte é sublime (todos os cenários são espetaculares).

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E o melhor exemplo dessa parte técnica é o melhor dragão já feito no cinema. Smaug é grandioso, assustador e digno de ser o vilão do filme. Sua presença ameaçadora é complementada com perfeição pelo som, fotografia, 3D e ambientação. O clímax no interior de Erebor é magnífico.

Peter também consegue ter um maior controle sobre os atores e os personagens, ainda que nenhuma atuação seja surpreendente. Martin Freeman está cada vez mais confortável na pele de Bilbo. Ele marca presença nas cenas de ação e ainda funciona como um bom alívio cômico.

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Benedict Cumberbatch dá voz e rosto ao grandioso Smaug com perfeição, Ian McKellen dá vida a um Gandalf leve e divertido (mesmo que depois seu arco fique muito mais sombrio) e Richard Armitage continua funcionando como Thorin (por mais que a ganância do personagem não seja tão bem retratada).

Os anões também ganham algum destaque individual. A partir desse filme o público vai conseguir chamar os anões pelo nome. Entre estes, o destaque vai para Balin, Kili, Fili e Bombur.

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A Desolação de Smaug é melhor do que seu antecessor, principalmente por ser mais ágil e movimentado. Merece ser visto em 3D (e quem sabe em 48 fps…) e apreciado. O amadurecimento do filme deixa o público esperançoso por um final épico digno de uma história da Terra Média. E pelo o que conhecemos de Peter, podemos esperar um terceiro ato genial com a maior guerra de todos os tempos…

OBS 1: Maldito final abrupto e inconclusivo. Peter Jackson pegou a Síndrome de “O Império Contra-Ataca.