4

b58a1-movies-the-hobbit-the-battle-of-the-five-armies-tapestry-artwork2b-2bcopia2b6

E, finalmente, chegou ao fim nossa longa jornada pela Terra-Média. Uma viagem que foi mais longa do que o necessário, mas mais divertida do que o esperado. Uma longa aventura que vai deixar um vazio nos nossos corações e nos bolsos da Warner. Como o estúdio não tem direito sobre mais nenhum livro de Tolkien, essa provavelmente será a última batalha travada pelos elfos, anões, homens, orcs e criaturas de todos os tipos. Mesmo com alguns problemas, a saga vai deixar saudade.

O filme começa exatamente onde começou: Smaug está atacando a Cidade dos Homens, enquanto os anões observam de cima da montanha. O questão é que a libertação de Erebor e seu tesouro, vai gerar uma guerra com 5 exércitos e muitos motivos diferentes. Uma guerra sangrenta que vai marcar a Terra-Média.

O filme é bem movimentado e entrega a maior cota de ação dessa trilogia, já que tem 5 exércitos no campo de batalha. Entretanto, também é aqui que os problemas da trilogia vão ficando mais evidentes. O grande exemplo disso são as barrigas que foram adicionadas para transformar um livro de 200 páginas em três filmes.

É aqui que vemos o quão inútil foi a utilização de alguns personagens, plots e cenas a mais, sendo que a representação máxima desse erro é tudo o que gira em torno de Legolas e Tauriel. Já tinha achado os dois bem fracos no segundo longa, mas é aqui que chegamos a conclusão que eles não serviram pra nada. Eles podem até funcionar nas cenas de ação, mas me diz pra que serviu aquele triângulo amoroso entre os dois e Kili (ou Fili…)?

Eu realmente acredito que isso prejudicou o andamento e o equilíbrio de toda a trilogia, sendo que com alguns cortes tudo poderia ter sido agrupados em dois filmes mais recheados e completos. Não sei se o que pesou mais foi o dinheiro que a Warner queria ou se foi o amor gigante que Peter Jackson tem pelo condado e região, mas a decisão de colocar mais um filme não foi muito boa.

De resto, o roteiro desse filme funciona muito bem. O andamento da história é rápido, as explicações curtas e grossas e a maior parte dos diálogos muito bons. Tirando Legolas que só tem frases de efeito, todos os outros personagens se encaixam bem na história e tem seus momentos de glória na guerra.

Só tem outras duas coisas que eu gostaria de ressaltar sobre o roteiro. A primeira é o desenvolvimento da história de fundo de Thorin, que me surpreendeu bastante. Eu achei que o filme ia dar pouca atenção ao poder da ganância (ou doença da montanha), entretanto o roteiro foi certeiro nessa história e em todo seu entorno.

A segunda é como a ligação com Senhor dos Anéis foi mais forçada nessa conclusão. Pode ter sido bem legal ver o filme terminar na primeira cena de A Sociedade do Anel, mas alguns momentos, como o próprio aparecimento do Necromante, poderiam ser retirados sem causar nenhum problema ao longa. É o preenchimento de uma história externa que acaba sendo outra barriga no filme.

Sobre a direção de Peter Jackson, devo dizer que seu amor por esse universo o impede de cometer um erro grave, por isso o andamento da história e a junção de toda a parte técnica continuam funcionando muito bem. O Hobbit nunca poderá ser acusado de ser algo visualmente fraco, porque não é. A direção de arte, a maquiagem e efeitos especiais são de outro mundo e mereciam pelo menos serem lembrados no Oscar.

O que Jackson faz aqui é exagerar de uma maneira que nunca tinha feito. Talvez por ter tido liberdade para inventar praticamente toda a guerra (que no livro dura 3 páginas), ele deixou a imaginação rolar mais do que seria necessário e deixou algumas cenas fantasiosas demais até para uma franquia desse tipo. Tem uma cena, em particular, onde Legolas praticamente voa enquanto pisa em pedaços da torre caída, que beira o ridículo e arrancou risadas inevitáveis da  platéia.

O elenco continua muito bom, sendo praticamente o mesmo dos anteriores. Martin Freeman continua sendo um Bilbo perfeito e todas as suas interações com qualquer outro personagem funcionam com a mesma perfeição. Ian McKellen não precisa mais ser elogiado, mesmo que Gandalf não tenha uma participação tão grande. E fechando, quem tem um destaque maior e muito bem vindo nesse terceiro filme é Richard Armitage com seu Thorin afiado. É incrível como o personagem funciona bem no drama e na ação, tendo sempre ótimos diálogos e frases. Um show de atuação de Richard que merece ser parabenizado.

A Batalha dos Cinco Exércitos não é o melhor da trilogia, mas fecha de maneira digna toda essa nossa jornada pelas terras de Tolkien. Ainda acho que A Desolação de Smaug é mais redondinho, entretanto a ação de grande qualidade e o 3D bem utilizado podem recompensar nessa filme.

A questão é que quando somos levados de volta para o condado e percebemos que vamos nos despedir de vez da Terra-Média, todos os erros são apagados, suor nerd chega na beirada dos olhos e tudo passa a valer. A jornada foi longa, teve muitos conflitos e momentos inesperados, mas foi extremamente positiva e válida. Obrigado Tolkien, Jackson e Warner por nos levar nessa viagem.

OBS 1: Resumindo o que disse acima: a guerra é muito foda.

OBS 2: Assisti o filme em 48 quadros por segundo e não vi grandes diferenças, exceto o brilho e algumas coisas mais lentas em poucos momentos.

Indicados ao Globo de Ouro 2015

Previous article

As consequências de brincar com um ditador

Next article

You may also like

4 Comments

  1. Gostei do filme também. Relevo todos os pontos fracos, menos um: Tauriel e a morte dela. Era pra ela ter morrido duma forma legal, como por exemplo ser morta pelo filho do Azog e fazendo o Legolas ir com sangue nos olhos querendo vingança e tal, mas não, só se insinua a morte dela ¬¬ Personagem muito fraca.

    1. A Tauriel é fraca em tudo! Totalmente inútil…

  2. […] 4) O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos […]

  3. […] O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos […]

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

More in Filmes