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Critica: O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro


5 de maio de 2014 - 16:00 - Flávio Pizzol

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Depois de um recomeço tão ruim, a única certeza que eu tinha era de que A Ameaça de Electro não podia ser pior do que seu antecessor. E agora posso afirmar que a continuação é muito melhor, mas ainda não consegue chegar nem perto de ser um bom filme ou de fazer jus ao amigão da vizinhança.

No novo filme, Peter tem que lidar com muito mais problemas do que antes. Na vida pessoal, ele precisa decidir se cumpre a promessa que fez e se afasta de Gwen. Como super-herói, ele tem que lidar com vilões mais ameaçadores do que o Lagarto. E no meio disso tudo, ainda temos a continuação do mistério sobre a fuga dos pais dele.

Como já falei na introdução, o filme é fraco, mas é muito superior ao primeiro longa desta nova franquia. O visual do filme melhorou muito, inclusive os vilões (exceto o Duende Verde, de quem vou falar mais daqui a pouco). Não dá nem pra discutir o avanço visual quando comparamos o Electro ao Lagarto. Até a mudança visual do Rino funciona e pode ser facilmente justificada, já que não soaria bem colocar na telona um cara vestido de rinoceronte.

O diretor Marc Webb parece ter se adequado a uma grande produção, já que não desperdiça a chance de fazer algo espetacular. As cenas de ação realmente valem a pena, sendo fluidas, eletrizantes e muito bem dirigidas. E junto com o incremento visual e as cenas de ação, também podemos destacar o 3D muito bem utilizado e concluir que a direção é um dos poucos aspectos completamente positivos. Realmente não tenho tantas ressalvas para fazer em relação trabalho de Webb dessa vez.

Mas se a direção é mais competente, o roteiro continua fraco. É verdade que a entrada de Alex Kurtzman e Roberto Orci melhorou a situação e evitou que tudo fosse por água a baixo. Um dos acertos é manter aquele Homem-Aranha brincalhão e divertido do primeiro filme. Tudo bem que eu sinto falta de um Peter menos “hipster” e mais nerd, mas o herói dos quadrinhos é daquele jeito. Ver o Aranha prender Aleksei, o futuro Rino, enquanto assobia a própria música-tema é genial e demonstra o quanto o roteiro tinha capacidade para ser melhor.

Outra coisa boa do roteiro veio para acabar com a critica que já estava preparada em minha mente. Como boa parte do público, eu fiquei preocupado com a quantidade de vilões que apareceriam no filme, mas o roteiro acerta em balancear muito bem a função de cada um deles, mesmo que as motivações sejam fracas e rasas.

Também não podemos dizer que o roteiro não seja coeso, mas o problema é que toda sua costura é feita com base em acasos. Acasos que fazem com que a tensão e a ação percam boa parte do impacto e do peso que poderiam dar ao filme. Quase tudo no filme é descoberto por acaso e isso me incomodou muito. Ver Harry ou Peter descobrirem alguma coisa, por que deixaram algo cair é triste e cansativo, além de provar o quanto o roteiro do filme é preguiçoso, fraco e óbvio.

Outra coisa que é quase positiva é que os roteiristas dão indícios que finalizaram a histórias dos pais de Peter. O problema é que é difícil consertar algo que começou muito errado e, assim, o roteiro acaba piorando a história e destruindo boa parte do canône do personagem. Não consigo aceitar a resolução onde Peter é colocado como um escolhido para ser o herói, por que seu pai usou seu DNA nas pesquisas com as aranhas.  E ainda descontentes, os roteiristas resolveram fazer os fãs mais próximos terem pesadelos e incluíram um fator de cura no estilo Wolverine que não faz nenhum sentido e nem tem função na história.

Esse plot é longo e, junto com o romance ioiô de Peter e Gwen, é o principal responsável por deixar o filme arrastado demais. Seus 140 e poucos minutos são exagerados e demoram uma eternidade a passar quando não estamos em nenhuma cena de ação.

Falando em Gwen, os fãs mais manjados (e até os menos, já que essa história já está rondando na internet há um bom tempo) já vão perceber nos primeiros 20 minutos qual é o destino da personagem. Super óbvio.

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Para quem não sabe a personagem morre de maneira muito similar ao que acontece na HQ e isso já pode ser cantado no inicio do filme, principalmente por causa do discurso extremante clichê que Gwen lê na formatura, falando sobre a vida não ser infinita. Depois, os roteiristas ficam insistindo em mostrar o quanto ela é importante para Peter. Isso tudo só pra tentar reforçar o luto, que passa muito rápido.

-SPOILERS-

Outra coisa muito criticada (e que realmente incomoda) é a grande quantidade de publicidade inserida no filme. E nem estou falando da cena na Times Square, por que essa justifica a presença de marcas no telões e prédios. Estou falando da Sony que, por ser produtora do filme, decidiu colocar seus produtos em todos os cantos do longa, gerando quase uma poluição visual. Só faltou os carros serem da marca ou ela patrocinar os vilões junto com a Oscorp.

Agora, que já falei quase tudo o que me incomodou no filme, algumas pessoas vão falar que meus argumentos são fracos e que não estragam o filme. Na boa, essa é minha opinião, já que um roteiro preguiçoso e furado prejudica muito mais minha experiência com um filme do que efeitos ou cenas de ação.

Antes de falar do elenco e seus problemas, vou voltar a falar bem do filme só para elogiar os efeitos visuais (acho que já deixei a qualidade destes implícita quando disse que o 3D e as cenas ação são boas, mas preferi confirmar…) e a trilha sonora, que é realmente boa. Agora sim. vamos ao elenco, que não é ruim, mas tem algumas ressalvas. A primeira ressalva é que quase nenhum ator, principalmente os mais jovens, consegue fazer um bom trabalho quando tem um texto porco em suas mãos.

Andrew Garfield continua bem, mesmo que eu não goste do Peter Parker solto e exibido que o reboot criou. Emma Stone também está bem, mas a química dela com Garfield me pareceu mais fraca e rasa do que no longa anterior. Entretanto, isso pode ser só mais um problema do roteiro.

Na parte dos vilões, Jamie Foxx e Paul Giamatti são experientes o bastante para conseguir extrair o melhor do roteiro e conseguem, com isso, dar alguma dimensão aos seus personagens. Como a participação de Rino deve ser maior no terceiro longa, Foxx é quem realmente se destaca ao se esforçar para dar trejeitos esquizofrênicos ao seu Max Dillon.

Por outro lado, Dane DeHaan é um dos grandes problemas do filme. O ator é jovem, tem talento, mas não consegue acertar em quase nenhum momento do filme. Os diálogos de Harry são fracos e suas motivações rasas. O papel é tão ruim, que consegue incomodar mais do que aquele visual que nenhum contexto pode salvar.

Os outros coadjuvantes do filme são quase inúteis, só marcando presença em momentos chave. Atores de escalão como Sally Field e Chris Cooper são tão mal utilizados, que ninguém ia ligar se não dessem as caras. Principalmente Cooper, já que eu não consigo aceitar que eles decidiram apresentar um Norman doente que não tomaria o soro para virar o Duende, deixando esse papel para o seu filho, usando a desculpa (mais uma vez preguiçosa) de que a doença seria genética.

Concluindo, não posso negar que o filme é melhor que o primeiro, mas não chega nem perto de ser espetacular. Suas qualidades são muito poucas para segurar um longa inteiro, logo defeitos aparecem mais e incomodam aquele público que conhece os quadrinhos ou que, simplesmente, espera algo mais de um filme. Um filme não pode se sustentar só na ação ou no seu 3D, mas quem só liga pra isso vai acabar gostando do filme.

OBS 1: A cena pós-créditos é uma cena de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, que estreia esse mês, por que o diretor Marc Webb tem algumas dividas contratuais com a Fox.