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Filmes

Crítica: O Destino de uma Nação

Sangue, suor, trabalho e lágrimas

15 de janeiro de 2018 - 13:02 - felipehoffmann

A Inglaterra tem a sorte de ser lembrada nas telonas pelos seus líderes notórios do século passado. Em A Dama de Ferro, Maryl Streep ganhou o Oscar vivendo Margareth Thatcher em seu governo na década de 80. Na série The Crown, Claire Foy ganhou o Globo de Ouro por interpretar a incrível Rainha Elizabeth. O Rei George VI foi interpretado por Colin Firth em O Discurso do Rei e também levou um Oscar para casa. Agora, Winston Churchill é reencarnado por Gary Oldman em O Destino de uma Nação e o longa já é uma das grandes apostas para as premiações desse ano.

A trama se passa dentro de um pequeno recorte importante da história da Inglaterra. Os alemães estavam avançando pelo território da França e Bélgica durante a Segunda Guerra Mundial. O então premiê britânico, Neville Chamberlain, renuncia ao cargo e Winston Churchill assume, precisando tomar decisões rápidas e importantes para lidar com a situação.

O elenco do filme é fabuloso mas Gary Oldman se destaca de uma maneira tão absurda que não é possível distinguir o que é ator e figura real. O filme vai no íntimo de Winston Churchill e Oldman consegue buscar absolutamente todas as personalidades do ex-primeiro ministro. O ator altera as nuances da voz dependendo das pessoas com quem conversa, reproduz seu jeito de andar, de mover a boca ou acenar para alguém. E nada disso parece forçado.

 

 

Por focar de forma contundente em Winston Churchill, a direção de Joe Wright (Orgulho e Preconceito) não aprofunda tanto em outros personagens, tirando o peso dramático das outras pessoas. Até mesmo o Rei George VI acaba por se sustentar mais na excelente atuação de Ben Mendelsohn (Bloodline) do que nas linhas de roteiro que o desenvolve.

Nem por isso O Destino de uma Nação deixa de chamar atenção. Sua cinematografia maravilhosa conversa com a narrativa, como uma forma complementar à história. Os planos fechados, por vezes, demonstra o encurralamento das ideias de Churchill em meio à Grande Guerra e dá pouco respiro para uma provável solução.

O longa recebe o nome inglês de Darkest Hour (A Hora mais Escura, em tradução livre) e de fato o filme é bem escuro. O parlamento britânico, as cenas noturnas, na sala de guerra e até mesmo no Palácio de Buckingham puxam para o preto, conduzindo a história e mostrando pelas luzes do ambiente onde o espectador deve prestar atenção.

 

 

O roteiro não se encaminha para um arco dramático, nem força grandes emoções. É contido na maior parte do tempo e deixa na mão do ator o brilho das cenas mais sensíveis. É um filme parado e extremamente político, tecnicamente impecável e sabe deixar os atores a vontade.

O Destino de uma Nação conversa com o recente Dunkirk, de Cristopher Nolan. Um acaba onde o outro começa e fica até de sugestão para complementar a história de Churchill. O Destino de uma Nação mostra os bastidores da operação e toda a eloquência do primeiro ministro. Gary Oldman entrega uma das melhores atuações dos últimos tempos em um filme que foi feito para ele. É certeza de indicação ao Oscar.