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O arroz e feijão da Pixar

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Um prato de arroz e feijão pode ser considerado um cardápio relativamente simples e mesmo assim essa é a combinação favorita dos brasileiros. Eu gosto, você gosta e outros 99% de brasileiros gostam, mas ninguém espera comer arroz e feijão quando frequenta um restaurante chique, certo?

Para quem ainda não está por dentro da nova parceria entre Disney e Pixar, O Bom Dinossauro conta a história de Arlo, um jovem e medroso Apatosauro que se perde e precisa reencontrar o caminho de casa acompanhado de seu garotinho de estimação, chamado Spot.

O roteiro, desenvolvido por Meg LeFauve (responsável por Divertida Mente e pelo futuro Capitã Marvel), é um dos mais convencionais da história da Pixar, mas sabe encontrar uma parte do seu caminho quando mistura esse desenvolvimento simples com algumas características que só poderiam existir em um filme desse estúdio. Afinal, ninguém mais conseguiria idealizar um grupo de Tiranossauros Rex que trabalham com fazendeiros e um ser-humano que age como cão.

E quando esse lado mais imaginativo vem à tona em alguns momentos, o roteiro acerta em cheio na criação de personagens que cativam com poucas palavras e nas ótimas relações entre eles. É legal ressaltar que todos são bem construídos e carismáticos ao ponto de conseguir segurar uma boa parte do longa sozinhos, mas é na relação entre Arlo e Spot que o filme ganha todo o público. Eles são a grande força que faz o espectador rir de situações inesperadas e começar a chorar sem nem perceber.

Ainda assim, o desenvolvimento da história me incomodou bastante pela quantidade de aventuras desnecessárias, que poderiam ser cortadas para dar mais espaço para o clímax, e pela reutilização constante de alguns artifícios já vistos em outros filmes da Disney. Sem querer dar nenhum spoiler, mas existem pelo menos três cenas em que o filme praticamente copia O Rei Leão.

Entretanto, se o roteiro apresenta saídas fáceis e escorrega em alguns momentos, a parte visual do filme é irretocável. O diretor Peter Sohn, que já trabalhou em vários longas clássicos da Pixar, faz um trabalho bem interessante na escolha de ângulos para manter o público próximos dos protagonistas, na trilha sonora espetacular e no desenvolvimento da maioria das cenas de ação.

Outro grande destaque do filme está reservado na parte da animação. É muito interessante ver como a água, a lama, o céu, as pedras e tudo mais que faz parte da natureza tem texturas e contornos incrivelmente reais e, principalmente, como isso tem um efeito ainda maior na hora que entra em contato com os personagens que, ao contrário, são totalmente cartunescos.

No fim das contas, O Bom Dinossauro poderia, sim, ser bem melhor se não apostasse em resoluções fáceis e em uma história convencional, no entanto isso não é o bastante para tirar o “selo de qualidade” da Pixar de um filme que consegue divertir, emocionar e passar um ótima mensagem sobre amizade e medo. O filme é muito bom, mas, depois de experimentar um caviar chamado Divertida Mente, fica difícil comer arroz e feijão sem esperar um pouquinho mais.

OBS 1: Nós assistimos na pré-estréia exclusiva realizada na CCXP, então temos a obrigação de agradecer à Pixar e à Disney.

OBS 2: Mantendo a tradição, um curta-metragem da Pixar é exibido antes do filme. Chamado Os Heróis de Sanjay (Sanjay’s Super Team), o curta é uma história pessoal do diretor Sanjay Patel e mistura a cultura hindu com as histórias de super-heróis de uma maneira interessante. O roteiro não é nada impressionante, mas a maneira como o diretor usa a religião e as cores é muito bem feita e pode chamar atenção de muitas pessoas.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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